Reunião do Angra, Within Temptation e mais: o que aconteceu no segundo dia de Bangers Open Air 2026




Créditos: Diego Padilha | MHermes Arts

Chegou ao fim o Bangers Open Air 2026. Em sua quarta edição, o segundo e último dia do festival descrito como “o mais amado do metal no Brasil” aconteceu neste domingo (26), no Memorial da América Latina, em São Paulo.

Como nos anos anteriores, além das apresentações, o evento trouxe sessões de autógrafos com algumas atrações, diversas lojas temáticas e até um estúdio de tatuagem, proporcionando uma experiência completa para o público. Não só, como já confirmou que voltará acontecer nos dias 24 e 25 de abril de 2027, no mesmo local.

Veja um resumo dos principais shows do dia abaixo:

Primal Fear

O Primal Fear trouxe um show poderoso ao Bangers Open Air. Ralf Scheepers, vocalista, deu um show de carisma, não só por arriscar no português, dizendo palavras como "obrigado" e "muito mais", mas por fazer dinâmicas com o público e mandar beijos e corações, destacando que estava feliz por voltar ao Brasil.

Indo além, o alemão sustentou notas altas e demonstrou muita energia, aproveitando toda a passarela do Hot Stage, colocada especialmente hoje. Thalìa Bellazecca, guitarrista, também ganhou protagonismo no set.

O setlist contou com músicas como "Chainbreaker", descrita como a primeira que compuseram juntos, e "Metal Forever", com introdução especial. "Uma pergunta estúpida: vocês gostam de heavy metal? Nasceram para o heavy metal? Acordam de manhã e escutam heavy metal?”, brincou o cantor. Finalizando com muitos agradecimentos, a banda deixou que a faixa "Eden" saísse nas caixas de som.



Nervermore  

O Nevermore ficou anos inativo. Após a dissolução em 2011, o vocalista Warrel Dane morreu em 2017, o que parecia tornar um retorno difícil.

Contudo, em dezembro de 2024, o guitarrista Jeff Loomis e o baterista Van Williams anunciaram audições para retomar a banda. E, em fevereiro, confirmaram o vocalista Berzan Önen, o guitarrista Jack Cattoi e o baixista Semir Özerkan como novos membros.

Assim, o grupo voltou aos palcos em abril depois do hiato de 15 anos e realizou uma de suas primeiras apresentações do comeback no Bangers Open Air.

Aliás, a performance começou de maneira simbólica. Vestindo uma camiseta do Brasil, Berzan entrou no palco sozinho, meio que aquecendo a voz e "sentindo o público". Então, saiu e retornou ao lado dos colegas, que começaram já com o pé na porta com “Narcosynthesis”.

O cantor interagiu um pouco entre as músicas, dizendo sempre "amazing", "beautiful" e "yes". Literalmente de braços abertos, ainda falou um "gracias" e incentivou a plateia a cantar, que, no meio dos moshs, jogou para o alto um jacaré inflável - percebido por ele na música "Engines of Hate”.

O set incluiu "My Acid Words", em que o cantor ficou abraçado com o baixista, "Beyond Within", introduzida como "old stuff", e "Born", na qual pediu para a plateia se dividir ao meio. Ao fim, os músicos tiraram uma foto com os admiradores, encerrando um show histórico.


Winger  

Representando o hard rock, o Winger trouxe um repertório clássico ao Bangers Open Air - com direito a Fabio Lione na plateia, cumprimentando o pessoal das grades.

Em suma, a banda realizou apenas pequenas interações entre as músicas, focando totalmente em seu set. Canções como "Madalaine", com dinâmica de gritos com a plateia, e "Miles Away", cantada em coro pelos fãs e descrita como "composta há muito tempo", figuraram no set. 

Ao longo da performance, Kip Winger, vocalista, perguntou se os admiradores estavam "going alright?" e ressaltou, por mais de uma vez, que a banda é composta pelos membros originais de 1987. Ainda, exaltou os colegas e mencionou Alice Cooper, com quem tocou na década de 1980. 

"O Brasil tem os melhores fãs de rock em todo o mundo. Obrigado por apoiarem nossa música", disse o cantor em determinado momento, apontando em seguida para um cartaz ao fundo, que parecia atrapalhar a visão. No fim das contas, pediu uma foto com a plateia, ordenando que os fãs "go crazy", e despediu-se com um "obrigado".

Vale um destaque para o solo hipnotizante do guitarrista Reb Beach, que o fez ser ovacionado, além do solo do baterista Rod Morgenstein e da extensão instrumental de "Headed for a Heartbreak", com o cantor entregando vocais.


Smith/Kotzen

"The Devil You Know", do Anthrax, tocou nas caixas de som antes que o Smith/Kotzen desse início ao seu show no Bangers Open Air. Formado por Adrian Smith do Iron Maiden e Richie Kotzen do The Winery Dogs , o duo acabou subindo ao palco com poucos minutos de atraso, o que não atrapalhou em nada a performance.

Como esperado, a dupla desfilou talento e entrosamento. Músicas como "Taking My Chances", "Darkside" e "White Noise" estiveram entre os pontos altos de um set irretocável. "Scars" e "Running", com suas extensões instrumentais, foram alucinantes, assim como "Wasted Years", da Donzela do Ferro, encerrando o show e causando grande comoção.

A formação de apoio conta com os brasileiros Bruno Valverde (Angra) na bateria e Julia Lage (Vixen) no baixo, fato mencionado em meio ao set. "Desculpe que não sei falar português", brincou Adrian, que também citou como o país é quente e introduziu a maioria das músicas.

Na plateia, além dos fãs devotos, marcaram presença no final Ralf Scheepers e Magnus Karlsson, do Primal Fear.


Within Temptation

O show do Within Temptation começou de maneira etérea. Com a cantiga de ninar “Oi Khodyt Son Kolo Vikon” nas caixas de som e luzes vermelhas, o início deu o tom mágico do resto do set.

Sharon den Adel entrou com um vestido branco e máscara. Sobretudo, a cantora quase dançava com as mãos, soltava gritos de empolgação no fim das canções e mandava muitos beijos. Nem mesmo as alças quebradas do figurino a atrapalharam, com seus vocais operísticos ecoando em todo Memorial.

"Oi Brasil, tudo bem? Obrigada por nos receberem de novo. Faz 2 anos que viemos. Está sendo incrível. As pessoas no Brasil são amáveis”, destacou.

Ela também agradeceu ao público por usarem sua voz, dedicou "Ritual" às garotas da plateia e descreveu a final "Mother Earth" como uma música de protesto. Ainda, pediu lanternas em "Lost", ajuda para cantar "In The Middle of Night" e exaltou o guitarrista Stefan Helleblad em “Faster”. 

O setlist surpreendeu ao resgatar "The Heart of Everything", "Forsaken" e "The Howling". Ao fim, a frontwoman pronunciou muitos obrigada em português e, junto do guitarrista Ruud Jolie, segurou uma bandeira do Brasil.

 


Angra 

Não há maneira melhor de descrever o show do Angra do que histórico. Isso porque a apresentação no Bangers não era uma performance comum e tinha três pilares diferentes:
  • A despedida do vocalista Fabio Lione, membro desde 2013, cuja saída foi anunciada em novembro de 2025;
  • A estreia de Alírio Netto, mais conhecido pelo Shaman, nos vocais;
  • A reunião com a formação clássica do “Rebirth” (2001), com o vocalista Edu Falaschi (que saiu em 2012), baterista Aquiles Priester (que saiu em 2007) e guitarrista Kiko Loureiro (que saiu em 2015 mas que, eventualmente, ainda participa de um ou outro show como convidado). 
Antes mesmo do início, já deu para notar o quão grandioso seria a apresentação. Com “Communio: Lux aeterna” nas caixas de som, o público logo percebeu o tamanho da estrutura - a maior do festival -, com uma plataforma especial para a bateria, envolta por telões de LED. Tudo isso com o acréscimo de fogos de artifício a cada "novo ato", chamas e fumaça.

Cada troca de formação no palco era uma surpresa. De maneira muito dinâmica e interessante, o setlist seguiu da seguinte forma:
  • “Nothing to Say” e “Angels Cry” com Alírio, Rafael Bittencourt (guitarra), Marcelo Barbosa (guitarra), Felipe Andreoli (baixo) e Bruno Valverde (bateria);
  • “Tide of Changes - Part I”, “Tide of Changes - Part II”, “Lisbon” e “Vida seca”, com Fabio, Bittencourt, Barbosa, Andreoli e Valverde;
  • “Wuthering Heights” e “Carolina IV’ com Alírio, Bittencourt, Barbosa, Andreoli e Valverde;
  • "Nova Era", "Waiting Silence", "Millennium Sun", "Heroes of Sand", "Ego Painted Grey", "Bleeding Heart", "Spread Your Fire", "Acid Rain" e "Rebirth" com Falaschi, Loureiro, Bittencourt, Priester e Andreoli;
  • Vídeo do saudoso Andre Matos tocando “Silence and Distance” no Japão;
  • “Silence and Distance” com Netto, Falaschi, Loureiro, Barbosa, Bittencourt, Andreoli e Valverde, dedicada para Andre;
  • “Late Redemption” com Netto, Falaschi, Barbosa, Loureiro, Bittencourt, Andreoli e Priester;
  • “Carry On” com todos no palco em um grande encontro.
Sendo assim, a performance foi uma grande celebração inédita, de todas as fases do Angra. Para além do repertório vasto e emocionante, os vocalistas e o membro fundador Bittencourt ainda puderam, cada um, fazer um discurso. Foram eles:

Fabio: “Foram 14 anos de muitas conquistas. Muitas lembranças, lembranças que sempre vão estar aqui [no coração]. O carinho e o amor pelo Brasil, pelos fãs brasileiros.”

Alírio: “Eu nem sei o que dizer, tô bem emocionado aqui. Esperei uma vida inteira por esse momento e eu só tenho que agradecer a confiança desses caras, por me darem essa oportunidade, e principalmente a vocês. O Angra vai sempre ‘carry on’. Mais uma nova era. Isso é sobre continuidade, continuar um legado que já é vitorioso e pra isso a gente precisa de vocês do nosso lado”.

Edu: “É uma honra estar aqui com vocês. Com esses caras de novo, celebrando os 25 anos do ‘Rebirth’, os 35 anos da história do Angra e estamos aqui, juntos, fazendo essa história acontecer.”

Rafael: “Faz tempo que eu queria reunir todo mundo. A família tá cada vez maior e ainda tem elemento dessa família que a gente ainda não juntou e eu prometo que a gente conseguirá juntar todos cada vez mais. A noite de hoje é um marco pro heavy metal brasileiro e pra todo movimento do rock pesado latino-americano. O Bangers Open Air é um festival brasileiro, de metal pesado. Tiveram por volta de 18 bandas brasileiras por aqui arregaçando pra vocês. Isso é uma grande conquista. Isso aqui foi um esforço de todo heavy metal brasileiro, revistas, lojas, todos jornalistas, todo mundo se envolveu pra fazer esse festival pra vocês.”

Rafael pontuou muito bem ao descrever a noite como uma das mais importante do heavy metal brasileiro. De fato, foi. Em cada canto do Memorial da América Latina, havia um fã chorando, cantando emocionado, revivendo memórias, sem acreditar no que estava presenciando. E quando Edu brincou que era tanta gente vendo a performance que parecia que estavam até chegando na Paulista, também não mentiu. Não dá para saber ao certo, mas ficou a impressão de que o show foi um dos mais lotados da história do festival.

É de uma honra imensa, para qualquer um que esteve presente, ter visto tamanho espetáculo. Um privilégio ter visto o Angra voltando, ainda que momentaneamente, a uma de suas fases mais célebres, depois de tanto tempo, enquanto despedia-se de uma era tão importante e iniciava um novo caminho. Alírio parecia totalmente à vontade, deixando o público cantar, conectado com seus novos colegas, soando como um respiro de ar fresco e, ao abraçar os antecessores, também demonstrou respeito à posição, que, vale ressaltar, foi tão bem ocupada anteriormente. Que seja muito bem-vindo!


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