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Em seu mais novo álbum, Birdy returbina o folk com melodias pop


Birdy vem ganhando cada vez mais espaço no mundo indie folk, desde seu cover de “Skinny Love” que viralizou em 2011. Agora, com 19 anos, está estabilizada em outro patamar da música, lançando Beautiful Lies, seu terceiro álbum de estúdio, que possui uma sonoridade bem mais consistente e profunda do que seus últimos materiais.

Assim como era de se esperar, a cantora manteve exposta sua habilidade incrível de composição, deixando o álbum bem pessoal, afinal o que seria de Birdy sem seu folk intimista? A voz também continua impressionante e poderosa, carregando todo o juízo e densidade vocal anormal para uma garota de só 19 anos. A grande novidade, portanto, é um acréscimo interessante para a música de Birdy: um experimento de melodias mais upbeats – o que é sempre bom para uma cantora indie/folk que não arrisca sair da sua zona calminha de conforto.



Não espere, então, ouvir só músicas lentas. Birdy está apostando em um caminho bem mais pop do que seus últimos discos. Eu diria até que a cantora parece uma versão mais jovem das grandes mulheres da música alternativa: Florence Welch, Marina Diamandis e Lana Del Rey. De fato, ela está crescendo junto com o seu som, mostrando muito mais atitude e confiança do que antigamente. Se o ritmo tímido e pacífico de antes era um problema pra Birdy, com certeza ela não deve se preocupar, podendo continuar com músicas refrescantes e cheias de vidas introduzidas em Beautiful Lies.

“Growing Pains”: Já podemos perceber a diferença do álbum logo com a faixa de abertura. Birdy se mantém nos mesmos padrões dos últimos álbuns até chegar no refrão, que a batida de influência asiática aparece numa perfeita explosão, que funciona quase como mágica. E é bacana perceber que acrescentando um caráter mais upbeat, Birdy pode agora brincar com o ritmo em suas bridges, o que não acontecia antes. Aqui por exemplo, a bridge é feita com uma mudança de velocidade do refrão, emocionando todos com o destaque de sua voz e seu belo e típico piano.

“Shadow”: O refrão dessa música me lembrou muito Marina and the Diamonds, por conta da voz grave. Porém o grande destaque aqui é a habilidade emotiva vocal de Birdy, que cria um ambiente completamente fofo e romântico durante toda a música. O instrumental tem de tudo, desde percussão até piano e violino, e com certeza é o mais completo do álbum, cuja produção mais me agradou. Jim Abbiss, o produtor da faixa, está de parabéns!

“Keeping Your Head Up”: Vamos agora para o primeiro single de Beautiful Lies. Aliás que escolha maravilhosa para um primeiro single, já que o som adulto contemporâneo da faixa representa bem o álbum por inteiro. O crescendo do refrão é o mais potente do disco, que seguido de versos mais calmos, é recebido como um furacão musical. E como se não fosse suficiente, só com um piano delicioso e versos suaves, é muito perceptível a confiança e atitude da cantora, resumindo, mais uma vez, o álbum.

“Deep End”: A faixa é uma balada com um som bem parecido com as dos outros álbuns, porém aqui há um elemento que diferencia tudo e chamou muito minha atenção: ao invés de deixar um piano constante fazendo todo o trabalho, a bateria aparece de forma bem persistente, sustentando a música com muita força. A letra também é impecável. Eu descreveria essa música como “simples”, porém com muita magnitude. De fato, é uma das minhas favoritas do álbum.

“Wild Horses”: A faixa foi escolhida como segundo single do álbum. Também é a menos folk, porque se não fosse pelos vocais diferenciados de Birdy, seria uma música completamente pop, podendo ser cantada por artistas como Alicia Keys e Adele. A faixa, portanto, é cheia de energia tanto no instrumental, quanto na letra e na voz da cantora. “Wild Horses” funciona quase como um hino de tanta potência sonora.

“Lost It All”: Essa é a primeira da tracklist escrita só por Birdy, e eu amo faixas que são 100% de autoria do artista, pois mostrar um pouco do seu interior e de sua autenticidade é essencial para quem segue esse ramo. De volta às origens, com um piano dramático, a cantora se entrega totalmente podendo mostrar seu alcance vocal, assim como sua habilidade lírica. É uma das faixas mais fiéis ao estilo da cantora, mantendo sua essência da forma mais pura possível.

“Silhouette”: Temos aqui um Lorde meets Lana Del Rey. A música inclina-se mais para uma melodia dark e melancólica, se aproximando até um pouco do folk rock, com baixo muito presente acrescentando muito à música. É um lado de Birdy que ainda não foi muito explorado e, espero eu, que com esse experimento, continuem a utilizar mais a cantora para melodias mais rock, assim como Gabrielle Aplin fez com seu último álbum.

“Lifted”: Mais uma música com sonoridade mais pop, sempre elaborado de forma muito delicada, principalmente nessa faixa. Imagino perfeitamente artistas como Colbie Caillat cantando “Lifted” (sim, é agradável e leve nesse nível).

“Take My Heart”: Mais uma escrita unicamente por Birdy! E isso é estranho de se pensar, já que a faixa tem uma enorme influência do R&B, algo que nunca imaginei em uma autoral da cantora. Mas ela, acima de tudo, é uma compositora maravilhosa e, assim como Sia, tudo escrito por Birdy acaba se tornando automaticamente uma obra de arte.

“Hear You Calling”: A música passa positividade do começo ao fim, com tamanha serenidade. E sendo uma faixa produzida por Steve Mac, já dá pra imaginar altas batidas, tudo em seu devido lugar.

“Words”: Mais uma música tradicional no piano, com letra romântica e melancólica. E são faixas como essas que fazem a gente refletir sobre a trajetória de Birdy. Eu, por exemplo, acho, que independente do gênero que ela seguir nos próximos álbuns, as lentinhas devem ser mantidas, já que esse é o ninho de segurança original da cantora.

“Save Yourself”: Sem dúvidas, essa é a que mais arrepia de todo o álbum, chegando até a dar calafrios. A letra é muito profunda, assim como a voz grave de Birdy. E ainda, como se não houvesse elementos suficientes, a melodia é EXTREMAMENTE dark e melancólica, com backing vocals que se perdem e se fundem durante a música, parecendo almas desesperadas.

“Unbroken”: Aqui, Birdy entrega uma música completamente emocionante, madura e inspiradora. Parece que a cantora deixou as mais tocantes para o final. E nessa, a interpretação é tão profunda que parece estarmos entre quatro paredes com a própria Birdy em um clima de redenção.

“Beautiful Lies”: Encerrando o álbum com a faixa que deu nome para ele, a cantora fecha o disco de um jeito bem clássico, encantador e genuíno, bem exclusivo de Birdy.



No geral, esse álbum foi um grande salto musicalmente para Birdy. Mesmo mantendo toda sua delicadeza pela qual nos apaixonamos primeiramente, ela decidiu arriscar muito em seu som, mostrando sua evolução natural como artista, que é intensificada com a produção impecável do disco. Isso pode trazer um novo posicionamento de imagem para a jovem de apenas 19 anos. E realmente, cedo ou tarde, isso seria necessário para amadurecer sua música. Beautiful Lie, então, pode abrir portas à cantora, que agora chega ao nível de grandes nomes da música alternativa.