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Descubra como Noel Gallagher conquistou o espaço em seu novo álbum


Você achou mesmo que não iríamos falar dele? A batata mais ranzinza que a gente respeita está de volta! Quem construiu a lua e outras maluquices espaciais você descobre na atmosfera do novo álbum de estúdio dos Noel Gallagher’s High Flying Birds.


Aparentemente cansado de reproduzir a velha fórmula de composição do Oasis, ainda bastante presente em seus álbuns anteriores, Noel Gallagher apostou em algo muito diferente do que estamos acostumados a esperar dele. Com faixas recheadas de eco e reverberação, Noel traz um disco quase que espacial, que talvez não agrade os fãs antigos, mas que com certeza trará novos.

O álbum funciona quase que como um filme, sendo que a primeira faixa se comporta exatamente como aquela cena chocante que todos esperam logo no início. “Fort Knox” esbanja musicalidade e nem sequer possui uma letra convencional, apenas frases e palavras soltas no espaço, algo não muito esperado numa faixa de abertura, mas que eu diria que deu super certo. Dando continuidade à esquisitice, passamos para “Holy Mountain”, uma canção que soa exatamente como a maior parte dos hits dos Beatles, mas completamente modernizada e trazendo um clima alegre até demais, que se estende diretamente para a faixa seguinte.


“Keep On Reaching” parece música que toca nos créditos dos filmes do James Bond, cheia dos instrumentos de sopro, estrategicamente colocados para dar aquela sensação de grandiosidade, mas que infelizmente não elevam a baixa temperatura da canção. “It’s A Beautiful World” é exatamente isso que o título sugere, uma letra extremamente clichê, mas não por acidente, já que a faixa parece se encaixar bem no tema do álbum e apresenta um único problema: duração. Apesar do ótimo clima da canção, a batida e o baixo a tornam um tanto cansativa, fazendo seus dois últimos minutos serem quase uma tortura.


“She Taught Me How To Fly” mostra que o leque de bandas que influenciam Noel é bem grande, que parece ter se inspirado muito em U2 e New Order para compor a faixa, que é uma das mais oitentistas do álbum, com baixo muito presente e uma batida extremamente contagiante, além de uma performance pouco usual do próprio Noel nos vocais. “Be Careful What You Wish For” se mostra uma das faixas que mais tem a cara do álbum, casando perfeitamente com a proposta e apresentando uma atmosfera consideravelmente misteriosa, embalada por acordes muito sutis de guitarra, uma linha de baixo incrivelmente viciante e vocais de apoio na medida certa. “Black & White Sunshine” é o que sobrou da velha sonoridade da época de Oasis. A faixa traz um lindo riff de guitarra à la Rolling Stones e uma levada bem básica na bateria, detalhes que servem de cama para uma das melhores letras do disco (tem até francês no meio!), que com certeza vai agradar os fãs mais saudosistas.


O interlúdio instrumental que vem em seguida, denominado “Interlude (Wednesday Part 1)”, vem calmo e preciso, baseado no violão, com acordes fortes de guitarra aqui e ali, uma ambientação maravilhosa nos teclados e um baixo com notas quase que cirurgicamente posicionadas, dando vida aos dois minutos mais relaxantes não só do álbum, mas do dia de qualquer ouvinte desta obra prima. “If Love Is The Law” não demora mais que trinta segundos para se mostrar a pior faixa do disco, com um andamento cansativo e uma melodia nada convidativa baseada em violões e em uma linha de baixo que soa claramente deslocada, sendo a letra e o refrão os únicos pontos positivos da canção.


A imponente faixa-título “The Man Who Built The Moon” quebra a suavidade com seu andamento forte e arrastado, com um ar de superioridade e certa epicidade. A faixa traz uma das letras mais criativas do álbum e um dos finais mais impressionantes, especialmente a ponte que acontece bem aos três minutos, que reforça a ideia de que o álbum funciona como um filme, sendo esse o ponto mais alto e o acontecimento mais marcante, seguido dos créditos finais no interlúdio “End Credits (Wednesday Part 2)”, que continua exatamente de onde termina o primeiro interlúdio e encerra o disco da maneira mais incrível que se poderia imaginar.

Não tão inspirado no passado como seu irmão Liam, Noel se reinventou e trouxe uma característica totalmente nova à sua discografia e de um jeito que absolutamente ninguém esperava, ainda mais vindo dele. Apesar de bom, o álbum ainda deixa alguns pontos a desejar e outros até sobrando, como o reverb exagerado nas primeiras três faixas e a falta de um baixo presente em algumas.

De forma geral Who Built The Moon? foi mais um ótimo lançamento de 2017, mas assim como muitos outros, se tivesse maturado até 2018, poderia ter se transformado em algo ainda maior.