Itaipava De Som a Sol

Um exótico Justin Timberlake que contrasta o rural e urbano


De 2013 para cá, muito foi esperado de Justin Timberlake. Dessa vez, ele apostou em uma nova mistura de estilos com Man Of The Woods, mas será que ele conseguiu manter o seu sucesso tão bem conquistado com os seus álbuns antecessores?  

Difícil é falar que a gente não conhece nada do Justin Timberlake quando muitos o tem como influência musical, ou pelo simples fato de ele ter tido sucessos grandiosos do pop que contagiaram o mundo inteiro. Certamente sabemos que "Cry Me A River" foi o hino que o levantou ao auge do sucesso no começo dos anos 2000. E se você nunca ouviu "My Love" ou "What Goes Around.../... Comes Around", claramente tem algo errado! Mais atualmente, é difícil dizer que você não conhece os sucessos "Mirrors" e "Suit & Tie" do antecessor de Man Of The Woods. Enfim, Justin tem anos de estrada que servem para mostrar que ele tem experiência na música e na fama. 

Outra coisa interessante que precisamos saber antes de conhecermos melhor Man Of The Woods é que o cantor cresceu no interior dos Estados Unidos, o que explica muito sobre a escolha do country e folk como influência para esse novo álbum. Mas é exatamente esse o ponto de exoticidade que não sabemos se deu certo: misturar os seu clássico pop R&B (estilos bem urbanos) com country e folk. 


Tudo começa com "Filthy", que claramente resgata o estilo urbano de Justin Timberlake, com as pitadas de pop R&B e até os elementos eletrônicos. Uma boa faixa de entrada para um álbum e uma grande turnê, quem sabe... E acho que fica aí uma mensagem para os haters.

"Midnight Summer Jam" é outra dançante que ainda relembra o antigo Justin com  aquela arriscada no rap contemporâneo com as batidas bem disco e pop. Sabe aquelas que dizem que ele é o "novo" Michael Jackson?! Então, é por faixas nesse estilo. "Sauce", em contrapartida, chegou só a, no máximo, um Bruno Mars, o que a classifica como nada muito diferente ou forte o suficiente para Justin continuar o sucesso todo que alcançou.


"Man of the Woods" é a faixa-título e é a que traz mais intensamente as arriscadas de Timberlake no country, o que, eu diria, não deu muito certo. Toda a mistura do urbano com o rural tão diferenciada para ele, trouxe mais uma melodia enjoativa do que um hit. "Higher Higher" muda novamente e puxa para a guitarra num tom mais R&B, outra que resgata um Justin lá da era "FutureSex/ LoveSounds" e considero uma das melhores do álbum.

Faixas que claramente não deram certo e eu diria desnecessárias para o álbum: "Wave" e "Flannel". Ambas foram lá no country e folk simplesmente para provar que ele não se encaixa nesse estilo e essa foi uma tentativa falha de mostrar as suas origens. É maravilhoso que ele tenha como inspiração as próprias origens, mas não significa que ele precisa seguir os mesmos estilos.

Faixas que deram certo e ainda poderiam ser melhor valorizadas: "Montana" e "Breeze Off The Pond". Essas são faixas mais para o lado urbano do cantor que mostram que ele também não fez um álbum inteiramente igual aos anteriores e nem todo inspirado no country.


"Supplies" acredito que seja a faixa com mais potencial desse novo álbum. A pegada pop com rap contemporâneo foi um ótimo risco a se correr e trazer uma evolução clara e mais elaborada para o cantor. "Morning Light" é outra faixa de potencial que imagino que será uma injustiçada. A participação de Alicia Keys faz do ritmo R&B que ele usou ficar ainda mais envolvente e gracioso (ouçam minhas preces e valorizem essa música).

Mas aí chega outro ponto ruim, outra mistura urbano/rural quando ele tentou fazer com a "dupla sertaneja universitária" Justin Timberlake e Chris Stapleton, que não ficou lá muito combinada. Talvez seja pela escolha do parceiro, já que a balada tem uma pegada ótima para se cantar e aproveitar um bom show.


As três últimas faixas do álbum "Livin' Off The Land", "The Hard Stuff" e "Young Man" são fracas e um pouco mais puxadas ao lado acústico, meio que um "Justin Sheeran" aparece no fim do álbum para tentar trazer algum encanto, mas parece que falhou.

Todo o conceito do álbum em trazer de volta as origens de Timberlake foi ótimo, mas apenas em teoria, uma vez que os riscos que ele correu em jogar country e folk no seu estilo urbano não fizeram algo tão harmônico e agradável. O álbum musicalmente é exótico e confuso, mas ao mesmo tempo resgata uma parte que já conhecemos e amamos do Justin, principalmente por ser produzido por gente como Timbaland e Pharrell Williams, o que também não traz aquele gostinho do pop atual que gruda na cabeça de todo mundo por eles não serem mais os "renomados" do pedaço como eram na época dos primeiros álbuns dele.

Esse claramente não foi o melhor trabalho do cantor, mas a vida tem altos e baixos, não é mesmo?  Quem sabe daqui a mais uns cinco anos (ou menos, por favor) ele não retorne com coisas melhores para a gente.