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"Lover" de Taylor Swift é mesmo o álbum mais apaixonante de 2019


Uma verdadeira calmaria repleta de sentimentos e cores. É assim que se define o Lover. Com álbum pautado na tranquilidade e busca pelo verdadeiro ser, Taylor Swift surpreende mais uma vez com um total de 18 faixas que acabaram de sair do forno.

O novo lançamento começa com “I Forgot That You Existed”, um pop chiclete, animado, bem genérico e repetitivo, assim como os primeiros singles que foram lançados, mas com características fundamentais do disco: a atmosfera tranquila, divertida, os sons de palmas e a grande presença de instrumentos mais orquestrais, como o piano, nesse caso. Mesmo assim, mal sabe o ouvinte o que o espera.

Embarcamos na atmosfera mais forte de “Cruel Summer”. Uma faixa com vocais agudos e arrastados, sons mais pesados de sintetizadores e efeitos eletrônicos. Irmã de outras antigas como “Blank Space” e “I Know Places”. Talvez a que mais se pareça com o 1989. Uma canção trágica sobre um período difícil de sua vida, com direito a auto sabotagem e conflitos pessoais.  Ela ilustra tudo com uma história de amor e canta trechos como “What doesn't kill me makes me want you more”.

Algumas das faixas seguintes são “Lover” e “The Archer”. Nelas, vemos novamente aquela atmosfera tranquila para falar de amor. Porém, diferente da primeira do álbum, é tudo muito lento, romântico e abafado. Mesmo assim, entre as duas temos “The Man”, outra pop perfection repleta de sintetizadores e batidas eletrônicas. É uma mescla do pop estilo 1989 e os novos singles já divulgados antes do recente álbum. Sobre a temática, é uma das mais interessantes. Todo o enredo é uma crítica à indústria machista do showbusiness, por isso o seu refrão é “I’m so sick of running as fast as I can/Wondering if I'd get there quicker if I was a man”.


E assim o sobe e desce de emoções continua. Na maioria das vezes, o Lover representa muito bem a montanha-russa da vida. Temos uma música de atmosfera feliz e, logo depois, triste. Nos deparamos com “I Think He Knows”, que traz de volta as palmas, o clima divertido e uma extra influência soul aos vocais. Para em seguida entrar em contato com “Miss Americana & The Heartbreak Prince”. Ambas narram histórias de amor, cada uma do seu jeito. A primeira com a esperança de um novo relacionamento e a segunda adiciona conflitos e um duplo sentido. Pode ser apenas sobre um amor de escola ou suas razões para ser engajada politicamente.

Então, “Paper Rings” e “Cornelia Street” deixam o conceito ainda mais evidente. Ambas são grandes declarações de amor. Porém, enquanto a primeira é de ritmo acelerado, contagiante e até um pouco infantil, a segunda é melancólica e expressa o medo de perder a pessoa amada, afinal: “If you ever walk away/I'd never walk Cornelia Street again”.

Para quem ouviu os singles não imaginava tamanha pluralidade. “ME!” e “You Need To Calm Down” representam apenas parte da essência do álbum. Alguns sons se parecem com elas, como aquelas mais animadas descritas acima. Contudo, também temos a calmaria em “The Archer”, “Lover” e algumas outras. Um pouco do country como em “Soon You’ll Get Better”, balada melancólica em parceria com o trio Dixie Chicks. E até algo mais puxado para o clássico, como “False God”

Falando nela, “False God” é uma das faixas mais poéticas e sentimentais de Lover, com os instrumentos da família do trompete dando uma suave influência do jazz. Na letra conseguimos enxergar um amor completamente intenso quando a artista usa o ambiente religioso para ilustrá-lo. A sua atmosfera melancólica lembra o R&B alternativo e trabalhos de figuras como Jillian Banks. É aquela que mais se encaixaria no estilo de Reputation, mas apenas brevemente. Em seguida vem a militante “You Need To Calm Down”, provando também que qualquer assunto é bem-vindo ao álbum. Até mesmo um grito de defesa à população LGBT.


Em meio a toda confusão, no primeiro momento já são observados alguns fatores em comum entre as músicas do álbum: além da suavidade, a maioria das faixas tem a sua própria narrativa ou a frequente menção a cores para definir emoção, como ela mesma já fazia. Por exemplo, o azul é visto em “Cruel Summer” para representar tempos difíceis, enquanto o dourado em “Daylight” simboliza o amor puro.

Nesse ponto, parece que o passado realmente foi deixado de lado e o que prevaleceu no disco foi a paz de espirito. Nos deparamos com “ME!” e, então, “It’s Nice to Have a Friend”. Na última, o ouvinte atinge o auge da tranquilidade. A canção é doce e parece ter anjos que a rodeiam. Os vocais angelicais e as partes instrumentais carregadas em sinos e trompetes trazem todo um ar celestial
à trama que gira em torno de um casal que se conhece na escola e acaba se casando. 


A última faixa é a famosa chave de ouro, em que percebemos um fechamento de toda a vida pessoal da cantora até agora. Primeiro, através de “I once believed love would be (Burning red)/But it's Golden”, ela dá adeus a era Red. Depois, todos os sons são encerrados com uma gravação da cantora dizendo “I wanna be defined by the things that I love/Not the things I hate” se referindo ao seu último álbum de estúdio, em que ela transformou todo o hate que recebeu em canções.

Taylor Swift faz do Lover um pouquinho de tudo. Ela remete faixas a outros álbuns, mescla a atmosfera de cada canção e entrega os seus pensamentos. Ele é uma grande calmaria sem padrões. Aqui se encaixam críticas sociais e histórias de amor. Sonoridades felizes e melancólicas. Ritmo lento e acelerado. Além de tudo, passa exatamente a ideia da foto da capa. A suavidade é contagiante. Vemos todas as inseguranças e descobrimos tudo o que Taylor Swift ama incondicionalmente. Com o novo disco, ela se entrega por completo.