Créditos: Marcos Hermes e Diego Padilha | MHermes Arts
Começou oficialmente o Bangers Open Air 2026. Em sua quarta edição, o festival descrito como “o mais amado do metal no Brasil” deu largada neste sábado (25), no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Como nos anos anteriores, além das apresentações, o evento trouxe sessões de autógrafos com algumas atrações, diversas lojas temáticas e até um estúdio de tatuagem, proporcionando uma experiência completa para o público. E apesar de estar só no início, já confirmou que voltará acontecer nos dias 24 e 25 de abril de 2027, no mesmo local.
Veja um resumo dos principais shows do dia abaixo:
Jinjer
Debaixo de um forte sol, o Jinjer mostrou muita competência. A banda ucraniana, que mescla desde influências do death metal ao metalcore, é liderada pela vocalista Tatiana Shmayluk, que deu um show em todos os sentidos.
Vestida toda de rosa, com um espartilho vermelho de renda, a cantora entrou já arriscando no português. "Oi, Brasil, tudo bem?", perguntou. Ainda no início, a artista também fez questão de agradecer aos fãs por comparecerem. "Estávamos muito ansiosos para ver vocês essa noite, nosso primeiro festival brasileiro. Estamos emocionados por isso, obrigada por estarem aqui".
A partir daí, Tatiana demonstrou completo domínio do palco. Ao longo do set, intercalou vocais guturais com vocais mais limpos e suaves de maneira exemplar, enquanto ainda movimentava-se, agachava e dançava por todo espaço. Tudo isso sendo extremamente expressiva, cantando com muito sentimento.
Faixas como “Pisces” e “Green Serpent” integraram o setlist. Antes de "Fast Draw", a frontwoman até mencionou o calor, que não foi capaz de diminuir a qualidade de sua performance - nem do baterista Vladislav "Vladi" Ulasevich, que vale uma menção especial.
A animação era tanta, de todos os lados, que, antes de "Teacher Teacher", a plateia entoou: "olê, olê, Jinjer". Em resposta, a vocalista, sorridente, repetiu os gritos, substituindo o nome da banda por "Brasil".
Killswitch Engage
O Killswitch Engage chegou no Memorial da América Latina de maneira imponente. Com "Baba O' Riley", do The Who, nas caixas de som, o guitarrista Adam Dutkiewicz já conquistou o público mais uma vez ao entrar com a bandeira do Brasil nas costas.
"Viemos de longe para estar com vocês, motherfuckers. Estamos há 4 meses sem fazer shows, estou meio enferrujado", brincou o integrante, que, a todo momento, fazia gracinhas para o público e ressaltava que tudo estava sendo "muito divertido".
Por sua vez, o vocalista Jesse Leach demonstrou muito carisma, falando palavras como "oi" e "obrigado" em português. Devido ao sol, o cantor secava o rosto com uma toalha preta e até bebeu uma cerveja no palco, brindando com os fãs à distância antes de "The Arms of Sorrow". Fato é que não demorou para que ele fosse, de fato, ver de perto o público, descendo do palco em “My Last Serenade” e interagindo com a plateia em todas as grades, de ponta a ponta.
Em seu set, a banda fez questão de homenagear outras atrações do dia. Dedicou "Aftermath" para o In Flames, "My Curse" para o Black Label Society e Zakk Wylde e, claro, finalizou com seu clássico cover do Dio, “Holy Diver”.
O repertório também incluiu "Broken Glass", descrita como um recado para homens abusadores, “The End of Heartache” e “Rose of Sharyn”. “Obrigado por gastarem o dinheiro suado de vocês para apoiar a banda e o festival”, declarou o vocalista, em uma das frases mais impactantes do dia.
Black Label Society
O show do Black Label Society era um dos mais esperados da noite. Liderada por Zakk Wylde, colaborador de longa data de Ozzy Osbourne, a banda deu uma verdadeira aula no palco do Bangers Open Air.
Ditando o que o público poderia esperar, a apresentação começou com um mashup de "War Pigs", clássico do Black Sabbath, e "Whole Lotta Love", do Led Zeppelin, nas caixas de som. Pouco depois, o grupo subiu ao palco, sendo ovacionado antes mesmo de começar.
Zakk, por si só, já impõe presença: com sua saia escocesa, colete e pedestal adornado com cruzes e caveiras, o músico é tão icônico ao ponto de muitos fãs na plateia também aderirem ao visual.
Em suma, o show contou com músicas como “Destroy & Conquer”, “Set You Free” e “The Blessed Hellride” e destacou-se pelas transições instrumentais entre as faixas. Zakk falou pouco, mas, a todo momento, incentivava a plateia a gritar, secava-se com sua toalha preta e levantava sua caneca.
Em um dos momentos mais emotivos da noite, o guitarrista dedicou "In this River", tocada no piano, para Dimebag Darrell e Vinnie Paul, falecidos membros do Pantera. Rolou ainda uma homenagem para o saudoso Príncipe das Trevas com "Ozzy's Song", com direito a imagens do cantor no telão e Wylde apontando para o céu em tributo.
Vale destacar ainda "Fire It Up", marcada pelo talk box e com Zakk e o guitarrista Dario Lorina tocando guitarra nas costas, e "Suicide Messiah", com trecho cantado em um megafone.
In Flames
Não é exagero dizer que o In Flames literalmente incendiou o palco do Bangers Open Air. Isso porque a banda fez um dos shows mais poderosos de todo festival, tanto pelo som pesado, quanto pelo carisma e potência dos integrantes.
Ao longo da performance, o vocalista Anders Fridén tratou os fãs como "my friends" e pronunciou frases como "scream for me", "are you feeling it?", além de, claro, pedir muitos circle pits. Ao fim de cada canção, ainda dizia um "thank you".
O carinho com o público parecia genuíno. Tanto é que o cantor bateu no peito para dizer que conseguia sentir a energia ali e ainda apontava, sorria e parava para apreciar os "olê olê In Flames" entoados pelo público: "Calem a boca, temos poucos minutos, desculpa”, brincou rindo, mas sentindo-se genuinamente grato pela recepção.
Músicas como "Cloud Connect", "Meet You Maker" e "Take This Life" contaram com sinalizadores na plateia. Não à toa, o grupo ficou impressionado.
"Muito obrigado por serem parte do nosso sonho. Queria poder agradecer cada um de vocês pessoalmente. Somos de um país pequeno e aqui estamos no Brasil tocando pra vocês, lindas pessoas. Vocês não fazem ideia do quanto isso significa”, declarou o frontman, agradecendo posteriormente ao Bangers por trazer uma "old fucking band", aos trabalhadores por fazerem o festival acontecer, às outras bandas e aos fãs.
"Alias", com seu momento no violão, esteve entre os destaques da noite, além do clássico “Only for The Weak”, na qual o vocalista pediu para os admiradores pulassem alto. “Lembrem-se de ser legais, gentis, demonstrar amor ao seu irmão e à sua irmã — o mundo está louco. Aproveitem o Arch Enemy, eu sei que vocês vão", finalizou, antes de despedir-se.
Arch Enemy
O Arch Enemy está em uma nova era. Após a saída de Alissa White-Gluz em novembro do ano passado, a banda anunciou em fevereiro a americana Lauren Hart como sua nova vocalista. Assim, estreou ao lado da cantora pela primeira vez no Brasil no Bangers Open Air.
Antes mesmo de começar, o show já mostrava-se grandioso. Uma cortina com a frase "pure fucking metal" subiu e "Ace of Spades", clássico do Motörhead, ecoou nas caixas de som, antes que o grupo iniciasse a performance que, em toda sua duração, contou com sinalizadores do público.
Completando a atmosfera, chamas saíam do próprio palco a cada música. Inclusive, a nova frontwoman era constantemente ovacionada e parecia genuinamente feliz, sorrindo e fazendo expressões de surpresa pelo carinho. Não à toa, visto que estava à vontade e entrosada com a formação, sobretudo com o baterista Daniel Erlandsson - com quem mais interagiu.
Apesar de ter falado com a voz gutural de arrepiar em boa parte do espetáculo, a artista também fez questão de "suavizar" o tom para agradecer ao público. "Desde que comecei minha carreira, não tenho ouvido nada além de coisas lindas sobre o Brasil. É a minha primeira vez aqui, é um sonho", disse.
No setlist, figuraram canções como “My Apocalypse”, em que o público acendeu as lanternas de seus celulares, e, clássicos como “War Eternal” e “Nemesis”. Houve um momento em que a cantora até mesmo estendeu uma bandeira com o logo do grupo, em um gesto simbólico.
“Hoje celebramos uma nova era do Arch Enemy. Mas vamos fazer uma parada no começo: a primeira música que o Michael escreveu”, afirmou ao introduzir "Bury me an Angel". E, no fim das contas, o discurso serve como um perfeito resumo da fase atual da banda.
.png)
Nenhum comentário:
Postar um comentário