Review do último álbum de David Bowie: Blackstar (★)


Nessa segunda feira, o mundo ficou sabendo que o revolucionário David Bowie havia falecido no dia anterior, 10 de Janeiro. O cantor havia sido diagnosticado com câncer no fígado e manteve sigilo sobre o assunto até o dia de sua morte. David Bowie, sempre muito misterioso, nunca gostou de expor sua vida pessoal, pois para ele o que de fato importava era a sua arte, desde o cinema até aos fones de ouvidos de bilhões. E no seu aniversário, 08 de Janeiro, o cantor havia lançado seu vigésimo quinto álbum de estúdio chamado Blackstar (). Foi tudo mais um grande plano genial de Bowie, o que fez dele um homem dedicado à arte do começo ao fim da sua vida.

O cantor, nesse álbum, causa muita agonia a quem ouve, devido ao jazz experimental e melancólico e com certeza, por conta das letras. Parece que após o falecimento do cantor, tudo está explicado e letras como essas são esclarecidas: “Look up here, I'm in heaven / I've got scars that can't be seen / I've got drama, can't be stolen / Everybody knows me now”. David Bowie estava apenas fechando seu ciclo na Terra com o que sabe fazer de melhor: arte. Muitas vezes o álbum se torna um pouco obscuro demais, porém causar essa sensação com certeza era ideia do cantor, afinal muitas vezes ele está falando nada mais, nada menos do que sua própria morte, não é para se esperar um disco mais animado e sim, um disco sincero e honesto. O cantor viaja no tempo, como em uma retrospectiva, lembrando de quando foi para Nova York viver seus anos de sucesso, assim como conta tudo o que passa na vida de um artista desde altos e baixos.


A estrela negra agora é a grande síntese de David Bowie, assim como deixa claro na música de abertura do álbum “I can’t answer why (I’m a blackstar) / Just go with me (I’m not a filmstar) / I’m-a take you home (I’m a blackstar) / Take your passport and shoes (I’m not a popstar) / And your sedatives, boo (I’m a blackstar) / You’re a flash in the pan (I’m not a marvel star) / I’m the great, I am (I’m a blackstar)”. Blackstar foi de fato a melhor maneira de encerrar a carreira de alguém, já que ele deixa explícito, através da sonoridade e temática, tudo o que David Bowie é: Artístico, sincero, esplêndido, comovente, sensível e destemido. É algo completamente inteligente, porque teve a capacidade de eternizar o cantor com um brilho intenso e duradouro.