#ThrowbackThursday: Relembre um dos álbuns mais marcantes da carreira do Black Eyed Peas, o Monkey Business


Como falar de Black Eyed Peas sem citar o disco icônico do grupo, Monkey Business? No álbum anterior à este, Fergie acabava de entrar para o grupo – o que já deu o brilho que estava faltando no trio –, porém, ao meu ver, o Monkey Business é, de fato, o grande marco da carreira deles. O grupo, através de uma estratégia desafiadora, conseguiu conciliar o hip hop com o mainstream, sem banalizar suas raízes. Muito pelo contrário, o grupo renovou e fortaleceu o hip hop. E é por conta desta postura genial que, ao contrário de ser esquecido, o álbum deve ser relembrado por eras.


Um dos grandes elementos marcantes do Monkey Business é a mistura de vários gêneros musicais, que juntos formam uma sonoridade única que, até hoje, está difícil de se achar igual. O álbum, mesmo tendo sua base hip hop, apresenta um mix incrível de rap, que se encontra com o funk, soul e jazz.
O Monkey Business é, sem dúvidas, cheio de harmonias e diversidade, e, se tem uma razão principal desse álbum ter sido tão impactante e tão cheio de energia, é basicamente pela coerência e equilíbrio que os integrantes se encontravam. O grupo tinha acabado de conquistar vários fãs com o Elephunk, e não demorou muito para Black Eyed Peas estar tocando em todo lugar. Tudo que os integrantes fizeram no Monkey Business foi refletir toda animação daquele momento para um álbum concreto e eletrizante.


“Pump It”: Quem nunca dançou ao som dessa música que atire a primeira pedra! É uma ótima escolha para abertura de um álbum, pois a música cresce cada vez mais até se tornar uma monstruosa mistura de agitação. A mescla dos vocais com a batida estão no medida certa, e é claramente perceptível um bom trabalho do will.i.am como produtor que, através de uma balança dos elementos musicais, conseguiu deixar o ouvinte cada vez mais ansioso para a próxima parte da música, moldando uma adrenalina que cresce sem parar durante a faixa.

“Don’t Phunk with My Heart”: Ainda com um ritmo mais agitado, o grupo mostra, como em grande parte do álbum, enorme dependência da Fergie. A cantora aparece durante o refrão com versos que ficam facilmente na cabeça – não é à toa que a canção foi o primeiro single do álbum.

“My Style (feat Justin Timberlake)”: Agora em um clima mais sexy, Black Eyed Peas traz nada mais, nada menos que Justin Timberlake. A música é a primeira do álbum que conta com uma pegada mais sensual latina. A batida e os instrumentos são realmente cativantes, do tipo que te fazem facilmente dançar.

“Don’t Lie”: Depois de uma dose de animação, Black Eyed Peas conta com uma faixa poderosa e romântica acompanhada de melodias de reggae. Através das harmonias e som tropical da música, o grupo passa uma energia fora do normal, fazendo de “Don’t Lie” uma das melhores do álbum.

“My Humps”: Com certeza, esta é a faixa mais sexual do álbum. Em “My Humps”, o grupo talvez força um pouco a barra para tocar nas rádios. É uma música que poderia ser boa para algúem como Gwen Stefani, mas não para Black Eyed Peas. Porém, apesar de tudo, na versão do álbum há um solo de piano – que tenta trazer a classe do grupo de volta – e, pelo menos nisso, acertaram.

 “Like That”: Com um instrumental luxuoso de R&B e bastante rap, é possível ouvir mais de Taboo e Apl.de.ap, além da maravilhosa harmonia que fazem com Fergie durante o refrão, que se repete bastante durante a música.

“Dum Diddly (feat. Dante Santiago)”: Uma das faixas mais divertidas do Monkey Business tem, em sua grande parte, Fergie com vocais agitados, enquanto o resto do grupo acompanha em um funk dinâmico, que foi extremamente necessário para a melhora sonora da música.

“Feel It”: Todos os integrantes do grupo conseguem ter um pouquinho de participação nesta música. “Feel It” tem uma vibe dançante e batidas interessantes. Devo parabenizar Apl.de.ap que produziu a faixa incrivelmente bem, mostrando que o talento de produtor não está somente nas mãos de will.i.am.

“Gone Going”: É bem difícil escolher só uma, mas se eu tivesse que fazer tal decisão, eu escolheria essa música. “Gone Going”, que tem participação de Jack Johnson, conta com um ritmo mais suave, onde a originalidade é mantida em ambos os lados: tanto de Jack Johnson, quanto de Black Eyed Peas. Diferente de muitas do álbum, aqui é apresentado um poder lírico incrível, que, somado ao instrumental puro, inspira qualquer um que a ouve.

“They Don’t Want Music (feat.  James Brown)”: Fico tão feliz que o Black Eyed Peas conseguiu esse privilégio de gravar com o fenomenal James Brown. O funk é muito presente nessa faixa, levando a gente sentir até uma vibe meio Disco-80’s, e esse é o principal motivo pelo qual eu adoro essa música.

“Disco Club”: Apesar de não ser uma das mais fortes do álbum, o instrumental consegue de certa forma animar, contando com fortes e marcantes aparições de trompas.

“Bebot”: É uma faixa bem animada, principalmente quando chega no refrão. Talvez, o grupo tenha exagerado na quantidade de rap aqui, porém, ainda assim, a música é bem divertida e dançante.

“Ba Bump”: Essa aqui é para os fãs de rap e hip hop, uma vez que a música inteira fica nessa vibe, porém sem pecar, já que o grupo consegue manter a qualidade do começo ao fim, dentro deste estilo, é claro.

“Audio Delite At Low Fidelity”: O grupo continua numa pegada de hip hop puro aqui. Porém o grande destaque da música é quando, no meio, o instrumental muda completamente para algo proveniente do soul e do funk.

“Union”: Black Eyed Peas volta à um estilo mais calmo e inspirador agora. Falando sobre união e igualdade, o grupo passa uma mensagem incrível com melodias do reggae que te fazem sorrir. Nos mesmos moldes de “Where’s The Love”, “Union” é poética, exemplar e dá aquela vontade de cantar junto. Eu diria que, apesar de ter faixas bônus em outras versões do álbum, essa música foi uma perfeita escolha para encerrar o Monkey Business.



O Black Eyed Peas mostrou, como nunca, o que é realmente capaz de fazer: harmonizar com diferentes estilos, sempre surpreendendo. E, para a grande reunião do grupo, que deve ocorrer esse ano ou em 2017, precisaria ser levado em conta esse álbum em específico, pois nele é claramente visível o estilo único do Black Eyed Peas. Nos últimos anos, o grupo colocou uma sonoridade mais pop e EDM em seus álbuns, o que foi um erro completo! Apesar de terem feito sucesso com hits como “I Gotta Feeling” e “The Time (Dirty Bit)”, a real essência deles está estampada no Monkey Business, que é bem dançante, mesmo mantendo a qualidade dos principais elementos de qualquer composição musical: instrumentos e vocais.