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Os desencontros de Florence + The Machine com "Sky Full Of Song"


Parece que em 2015 havíamos visto uma nova banda. O novo olhar para as canções mudou todo o jeito de Florence + The Machine de compor e permanecer no mundo da música. "Sky Full Of Song" é o mais novo single da banda, o qual gerou alguma outra expectativa sobre eles. 


O último lançamento da banda foi "Wish That You Were Here", canção para o longa de Tim Burton "O Lar das Crianças Peculiares", em 2016. Antes disso, o álbum How Big, How Blue, How Beautiful foi um difusor de águas para Florence + The Machine, visto que foi um trabalho de experimentação de algumas outras influências. Mais apegados ao lado energético e "dopante" do indie rock, eles mostraram que sabiam misturar um pouco de clássico com moderno e, ainda assim, fazer um bom trabalho de composição. Havia ali, de alguma forma, a essencial Florence dentro da novidade.

O novo single "Sky Full Of Song" parece ter mantido o novo encontro da banda. O que, para alguns aspectos, parece mais um desencontro. É ótimo que haja evolução. É ótimo ver que as influências geram mudanças nas maneiras de composição. Mas será que aquela Florence do Lungs e Cerimonials se perdeu nessa nova aba de experimentações?


Aquela essência lírica de nos deixar admirados e hipnotizados com certeza nunca se perdeu da banda. Toda a forma poética e angelical de transformar os versos em paisagens foi sempre uma habilidade peculiar e excelente de Florence Welch. A parte instrumental sempre foi algo encantador lá nos primeiros dois álbuns da banda. As coisas esquentaram um pouco com o de 2015, que parece ter esquecido aquele tonzinho gospel/clássico que fazia a gente viajar universos (vide "Cosmic Love").

"Sky Full Of Song" prova esse desencontro da antiga banda, com essa nova cara experimental que acredito que merecia um pouquinho mais daquele capricho da velha Florence + The Machine. Não que eles tenham sido descuidados dessa vez, pois a música se trata de algo hipnotizante também. A letra fala sobre como é dopante a sensação de performar, é totalmente aberta e mostra honestamente uma Florence livre e vulnerável, mas, ao mesmo tempo fala de como todo esse sentimento especial (incrível e celestial - como disse Welch) também carrega a solidão consigo.

É claro, toda a forma conquistante de criar músicas a banda ainda sabe fazer muito bem. Entretanto, continuamos a sentir falta daquela antiga Florence muito mais celestial dos dois primeiros álbuns. Vamos ver se ela retornará nas seguintes partes do próximo lançamento. O quarto álbum de estúdio da banda se chama High As Hope, e acho que se seguirmos pelo nome e compararmos com o que diz a nova música, parece que tudo estará conectado a esse sentimento. Então, espero que Florence + The Machine possa nos surpreender!