Itaipava De Som a Sol

Harry Styles encanta público do Rio de Janeiro com seu carisma e presença de palco

No último domingo, o Keeping Track esteve presente no show de Harry Styles com sua turnê "Harry Styles: Live On Tour". Durante 17 canções, a passagem do ex-One Direction foi marcada por gritos absurdamente altos, carisma único e muito amor espalhado pelo ambiente.

Antes de tudo, Leon Bridges iniciou seu show de abertura às 19h pontualmente. Com um set de pouco menos de 30 minutos, ele entregou vocais poderosos, com uma banda invejável e uma backing vocal que roubou a cena, arrancando altos berros do público cada vez que ela aparecia. Leon é genial e sua música é bastante peculiar, o que pode ter sido arriscado uma vez que o gosto do público de Harry é, geralmente, o pop/rock adolescente. No entanto, Bridges não fez feio e manteve sua energia ao longo de todas as canções; quem curte um som R&B com pitadas de blues e jazz ficou muito satisfeito - bastava conferir no rosto dos pais que acompanhavam suas filhas, impacientes pelo ato principal.

Logo mais, pouco após as 20h, Harry entrou com a enérgica "Only Angel". O público surtou e ele parecia muito feliz com a recepção calorosa. No palco, o cantor possui uma presença única, uma segurança em seu trabalho que não vemos em todos os seus ex-companheiros de banda.

A primeira parte do show foi marcada pela energia comum de um início de show, adicionada de um público fervoroso que sabia cada palavra de cada canção. Entre os destaques do primeiro bloco, "Just A Little Bit Of Your Heart" - escrita para Ariana Grande e excelente na sua voz - e também "Medicine", que provou ser uma das suas melhores canções que, infelizmente, ainda não foi liberada em sua versão de estúdio.

No momento seguinte, ele se dirigiu ao palco B, estrategicamente posicionado no meio da arena. Foi uma loucura: meninas se empurravam e brigavam pelo lugar mais perto, correndo de lá pra cá toda vez que ele se movimentava no palco. Dito isso, é seguro afirmar que o breve momento no palco secundário foi o auge do show, com todos entoando "Sweet Creature" e chorando copiosamente com "If I Could Fly", provavelmente a melhor canção do One Direction e escrita por ele.

Durante alguns momentos, Harry quebra o protocolo roteirizado do show conversando com o público, arriscando várias frases em português e agradecendo a presença de todos, pois sem eles, não haveria show. Ele agradeceu, inclusive, mencionando que estava ciente das dificuldades que o país enfrente e reconhecendo o esforço que cada um fez para estar presente ali.

Voltando ao palco principal, somos surpreendidos por um jogo de luz incrível, que dá mais destaque ao cantor e torna tudo mais mágico. É assim com "Anna", mais uma canção inédita ainda não liberada - mas que, curiosamente, todos entoaram como se já fosse um grande hit. Então ele nos apresenta a uma versão completamente retrabalhada de "What Makes You Beautiful", canção que levou a banda ao estrelato. Enquanto a original soa como uma boba cópia de "Summer Nights" do musical Grease, esta nova versão não lembra em nada o som adolescente de anos atrás. Pelo contrário, é pautada pelo rock característico do cantor e com um arranjo fenomenal. "Finalizamos", então, com o hit "Sign of the Times", sem dúvidas o momento mais emocionante da noite. Não havia um único rosto que não estava emocionado na segunda metade da canção, que por si só já é poderosa e gigante - e se tornou maior ainda com o público devoto e o já comentado jogo de luzes.

Ele se despede, apenas pra retornar com suas 3 canções preferidas: a triste "From the Dining Table", o cover do Fleetwood Mac "The Chain" e seu último single, "Kiwi". Harry conseguiu mostrar nas três canções sua forte personalidade, que lembra a presença de palco de grandes estrelas como Mick Jagger e David Bowie.

Inclusive, alguns podem achar precipitado, mas não há discussão: Harry pode não ser (ainda) um grande nome ao nível dos citados, mas mostra que tem tudo para se tornar uma lenda tal qual. A presença de palco, a segurança na voz, o carisma e tudo isso junto provam que o lugar dele é ali, no palco, brilhando ao lado de sua banda mas como o nome principal do evento. Harry Styles é, de fato, um evento.