Vitor Kley encontra sua identidade artística em "Adrenalizou"

Vitor Kley, a nova revelação da música brasileira, nos presenteou com seu tão aguardado álbum de estreia. Adrenalizou é o fruto de um longo trabalho que ganha vida hoje em forma de 12 músicas que registram a originalidade do cantor gaúcho que vem conquistando o Brasil intensamente nos últimos meses.

Todo mundo já sabe do enorme sucesso que “O Sol” fez pelo país, não é mesmo? A canção encantou a todos e chega hoje a 100 milhões de views pelo YouTube. Foi, sem dúvidas, uma das músicas mais tocadas desse ano. O cantor nos fascina por sua simplicidade e seu jeito natural de se expressar, seja junto a um delicioso violão ou acompanhado de uma vibe eletrônica que também chama muita atenção. É, assim, explorando sua personalidade faixa a faixa, que Vitor Kley se apresenta no seu debute Adrenalizou.


O disco começa com seu grande hit “O Sol”. Não poderia começar de outro jeito. Foi realmente como um nascer do sol que o single iluminou os horizontes de Vitor Kley no meio musical. A vibe refrescante do hit fez com que todos se apaixonassem, remetendo ao pop nacional simples e acústico dos anos 2000. Em meio a uma indústria repetitiva e saturada, precisávamos de alguém como Vitor Kley. Alguém que transmitisse a calma em sua perfeição pelos nossos fones de ouvido. E é assim, começando com o pé direito, que o cantor começa o álbum de jeito positivo e aconchegante. 

Mas logo, já conhecemos o outro lado de Vitor com o seu outro single de sucesso. Do doce dinamismo de “O Sol”, vamos para um ritmo mais rápido e ousado. Envolvido em um flow único com leves percussões parentescas do trap da gringa, “Morena” constrói adrenalina e até leves texturas de sensualidade com versos acelerados em que ele canta “Paralisei o tempo só pra lembrar daquela cena que eu tirava a tua saia e você beijava a minha boca”.


Percebe-se que Vitor não é feito só de voz e violão no próprio single que batiza o álbum. “Adrenalizou” conta com uma produção extravagante, parecendo até um remix. Em um verdadeira festa eletrizante, o álbum ganha cores de um jeito dançante e iluminado. O mesmo acontece mais tarde em “Onde Você Está”, que é dominada por um baixo cheio de atitude. É aí que Vitor surpreende com seu estilo aventureiro e destemido. É uma das músicas com mais personalidades do disco.

Para quem estava acostumado com o pop suave de “O Sol”, vai se surpreender muitas vezes ao longo do disco. “Marambaia” é um desses momentos. A faixa encarna chamas latinas surreais. Acompanhado de um violão, Vitor explora uma pegada meio flamenco que funciona muito bem para ele. Aliás, é algo que devia ser mais explorado. 

Todavia, um dos momentos chaves do álbum se encontra na inusitada “Bem Te Vi”, colaboração com a brilhante Kell Smith. A música é fluída, com uma produção nada saturada, mas sim muito harmônica. Indo do violão às batidas eletrônicas, do canto mais belo ao rap mais feroz, a faixa surpreende do começo ao fim, apresentando um tremendo potencial para ser single. Originalidade é o que melhor define esse grande momento.

Mas para os fãs do smash hit do cantor, temos muitas canções mais calminhas, quase que espirituais. “Como Se Fosse Ontem” traz um refrão inspirador, naquela fórmula que fez “Sonhar” do Mc Gui um tremendo sucesso. “Armas Ao Nosso Favor” traz a mesma positividade, agora embalada com leves pegadas de reggae, outro ritmo que funciona muito bem para o cantor, aliás. Essa última chega até sair um pouco da mesmice de letras sobre amor para fazer uma crítica social bem pertinente ao nosso cenário atual.
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E, para ouvir junto ao mozão, temos ótimas baladas românticas. “Farol” é a melhor delas. Acompanha de um arranjo de cordas deslumbrante e um piano impactante, Vitor constrói clima poético e delicado que penetra em nossa alma. A canção flutua por si só. “Flor” e “Dois Amores” também apresentam um lado mais sensível e leve do cantor que vai definitivamente deixar muitos corações derretidos.

Ao fim, temos um grande tesouro: “A Noite Cai”, que encerra o álbum de um jeito envolvente. A voz de Vitor e os instrumentos se encontram de uma dose de pop rock de puro sentimento. É uma faixa intensa, expressiva e verdadeira, encerrando esse projeto com chave de ouro. E claro, assim temos também a versão remix de “O Sol” para dar uma animada final e “Morena” acústica que também não poderia faltar.

Viajando por suas diferentes nuances, Vitor e seu violão conseguiu experimentar um pouco de tudo e mostrar sua diversidade, mas sempre dentro do seu DNA que já está tão bem definido. O cantor criou sua própria marca e, com ela, deve ir muito longe. Há o que amadurecer nas composições, mas isso vem com o tempo. O importante é que o cantor, hoje com 24 anos, conseguiu com muito sucesso já adrenalizar nossos corações.