Dez anos depois de “Blue Lights” apresentar sua voz ao mundo, Jorja Smith chega a uma nova fase da carreira com What Are The Odds, seu terceiro álbum de estúdio. O projeto encontra a cantora britânica em um momento de maior liberdade artística, explorando uma sonoridade mais voltada para as pistas sem deixar de lado a intimidade que sempre marcou suas composições.
Com 12 faixas, o disco percorre diferentes caminhos da música urbana britânica. UK Garage, 2-Step, Grime, UK Funky, Soulful House e Afro House aparecem entre as referências de uma produção que privilegia ritmo, movimento e atmosfera. É uma mudança perceptível para quem acompanha a trajetória de Jorja, mas não uma ruptura completa com aquilo que tornou sua música tão particular.
As questões pessoais continuam no centro do álbum. Amizade, perdas, relações complicadas, solidão e amadurecimento aparecem ao longo das faixas, mas agora dividem espaço com batidas que pedem um pouco mais do corpo do que da introspecção. Jorja parece menos interessada em transformar sentimentos difíceis necessariamente em músicas melancólicas e mais disposta a encontrar diferentes maneiras de lidar com eles.
Em “For Life”, a cantora fala sobre estar ao lado de um amigo que enfrenta problemas com vício, enquanto “Pretend” parte de uma experiência de traição. Já “What Are The Odds” olha para as consequências de crescer sob exposição constante e para as marcas deixadas por uma vida acompanhada de perto pelo público. São histórias bastante pessoais, mas apresentadas dentro de um álbum que, no geral, busca uma sensação mais leve e dinâmica.
A construção do projeto também ajudou nesse resultado. Jorja voltou a trabalhar com P2J, colaborador frequente de sua carreira, e os dois desenvolveram o disco durante três períodos de estúdio. Sem a pressão de um processo excessivamente planejado, as músicas puderam ganhar forma de maneira mais natural, permitindo que diferentes influências aparecessem ao longo da produção.
Essa abertura fica ainda mais evidente nas participações. Wizkid aparece em “Alive”, aproximando o álbum das sonoridades africanas que também atravessam sua produção, enquanto Devlin participa de “This City”. A faixa ainda recupera versos de “London City”, criando uma ponte direta com a tradição do grime britânico.
O disco também reúne materiais que já haviam apresentado essa nova direção ao público. “What’s Done Is Done” e “I Lied, You Lied” chegam ao álbum depois de anteciparem parte de sua atmosfera, mostrando diferentes lados da artista entre momentos mais dançantes e outros em que sua voz volta a ocupar o primeiro plano.
O lançamento acontece em um período particularmente movimentado para Jorja. Recentemente, a cantora foi convidada para abrir seis apresentações esgotadas de Harry Styles na Cidade do México e também participou da primeira temporada do Saturday Night Live UK. Ela ainda integra a trilha sonora de Bait, produção do Prime Video estrelada por Riz Ahmed, com a faixa “Price Of It All”.
E o público brasileiro poderá acompanhar essa nova fase de perto. Jorja Smith retorna ao país para quatro apresentações entre outubro e novembro. A cantora se apresenta no Espaço Unimed, em São Paulo, em 30 de outubro, e depois passa pelo Rock The Mountain, em Petrópolis, nos dias 1º e 8 de novembro. Em 7 de novembro, ela chega a Salvador para o Afropunk Brasil.
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