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Grimes põe todas as criaturas do submundo para dançar em "Kill V. Maim"


É incrível a capacidade que Grimes tem de exercer múltiplas funções na vida real e de criar múltiplos personagens dentro de seus trabalhos.

Não foi por acaso que Claire Boucher, a camaleoa Grimes, levou três anos para voltar com conteúdo novo desde seu último lançamento em 2012, Visions. Totalmente arquitetado, escrito, instrumentado e produzido por ela mesma, seu sucessor Art Angels trouxe um som mais acessível ao grande público, mas que não deixou a essência “Grimes de ser” de lado, tornando-se muito prazeroso de se ouvir. O álbum foi bem aclamado pela crítica e teve bastante sucesso de vendas, o maior de sua carreira até o momento.

Kill V. Maim vem da escolha certeira de Grimes para promover o álbum como seu segundo single, já que é uma das músicas mais legais e bem recebidas pelos fãs do novo trabalho. O clipe foi dirigido pela própria Claire, juntamente com seu irmão Mac Boucher.


Grimes grita arte e arte escorre da tela do filme. O ponto forte fica definitivamente por conta da direção de arte, que nos entrega uma estética futurista de influências do grunge underground, com maquiagens e figurinos aplaudíveis e efeitos especiais típicos de games japoneses dos anos 90. Um clipe de Grimes sem gore, não é um clipe de Grimes, portanto é óbvio que não falta sangue escorrendo como mais um adereço dos personagens.

Inclusive, personagens marcantes o clipe tem de sobra. São feiticeiros, vampiros, arqueiras, dançarinas com máscaras cirúrgicas, palhaços e até mesmo Drag Queens. E também, como este é o terceiro ato da série que começou aqui com os vídeos de Flesh without Blood/Life in the Vivid Dream, reconheci alguns elementos que estavam em evidência nos primeiros atos, como o anjo negro. Pode-se estabelecer um paralelo de histórias que, após assassinar a garota debutante do século XVIII, o anjo, antes branco e iluminado, sucumbiu totalmente ao perverso e encontrou seus semelhantes no underground.

Talvez eu estivesse esperando algo como Scott Pilgrim vs. The World, mas me contentei bastante com a nova versão de Mad Max: Vampire-Wizard Underground Road.