DNCE traz um alto astral contagiante para seu álbum de estreia


Depois do sucesso estrondoso de “Cake By The Ocean”, DNCE finalmente está lançando o primeiro LP da carreira, que recebeu o nome da banda. Está do jeito que a gente gosta: descontraído, louco – no bom sentido – e cheio de energia.

Naturalmente, me considero um grande defensor da banda, pois eu vejo que ela consegue se destacar na indústria pop de um jeito tão impactante. O que mais me agrada no DNCE é a personalidade bem forte de cada um dos membros, assim como a identidade que eles formam como um grupo, sem medo de ser diferente dos outros. Mesmo mediado por uma tela de computador ou por um fone de ouvido, a banda nunca falha em esbanjar alto astral por onde passa. E, como era de se esperar, essa força toda está presente em abundância nesse primeiro álbum.

Do começo ao fim, DNCE soube fazer a festa com o seu som explosivo e jovial, e disso não há dúvidas. Já sentimos isso com a faixa de abertura do álbum, que faz o ouvinte entrar no espírito do que está por vir. Daí pra frente é um estouro atrás do outro, hit atrás de hit. Sempre muito extravagante, a banda explora temas provocativos, sexuais e de curtição, fazendo com que a representatividade da juventude nas músicas seja certeira. Mas o mais bacana disso tudo é a sonoridade pop que, quase em todo álbum, foi bem executada, indo pra uma linha muito agradável de disco retrô em muitas músicas, como em “Zoom” e “Pay My Rent”.



Pode-se dizer que a sonoridade da banda é uma fusão de tudo que o pop tem de bom para oferecer. Todavia, seguir sempre a fórmula radiofônica pode culminar em alguns deslizes, e isso é bem perceptível em “Blown”. Trata-se de uma música fantástica, porém a mesma não foi nada inovadora, tanto é que a sonoridade dela é idêntica com “Walkin’ On The Sun”, do Smash Mouth, e com “Runaway Baby”, do Bruno Mars. Isso é bem comum entre os artistas pop, mas mesmo assim é um erro que dever levado em conta. Por outro lado, os prós são maiores do que os contras, e não podemos, de forma alguma, ignorar os muitos rastros de inovação, criatividade e ousadia da banda em fazer algo mais diferente, o que podemos sentir em outras músicas.

DNCE teve alguns momentos gloriosos na tracklist, como em “Body Moves” e “Doctor You”, em que o ritmo é extremamente chiclete e pra cima. Porém, tudo ficou ainda melhor quando a banda mostrou que sabe criar um som ainda pop e divertido, porém diferente dos padrões. Podemos sentir isso em “Zoom”, que possui um ritmo mais alternativo e exótico do que muitas da tracklist. Também em “Toothbrush”, o apelo ainda é bem sedutor, porém este é acompanhado com falsetes do Joe Jonas e um groove encantador. E o mesmo ocorre em “Unsweet”, que encerra o disco de maneira bem estilosa com sua sonoridade única e charmosa. Pensando fora da caixa desse jeito, minha aposta é que a banda não vai desaparecer tão cedo e vai ficar nas rádios por muito tempo ainda.



E mais um ponto positivo para o DNCE: mesmo com a grande maioria do álbum sendo bem agitada, a banda soube mostrar versatilidade ao expor seu lado mais intimista e calmo – sim, por incrível que pareça eles conseguem relaxar um pouquinho, rs. A função de derreter os corações fica com as românticas “Truthfully” e “Almost”, que mostram um lado mais lento, delicado e doce do DNCE – que é muito bom, por sinal. E ainda, em “Good Day” – um dos maiores destaques do álbum –, a banda explora mais o seu lado inspirador com uma letra e um ritmo delicioso que vai definitivamente melhorar o humor de qualquer um, até numa manhã de segunda feira. Essa música me cativou de uma maneira inexplicável, principalmente pelo ar fresco que os instrumentos trazem pra música. Aliás, eu gostaria de ouvir mais dos instrumentos nas músicas, pois uma vez que TODOS entram em harmonia, o DNCE se torna realmente imbatível.

No geral, a banda mostrou no álbum de estreia que não só estão prontos para o mercado, mas que o mesmo necessita de um grupo tão enérgico e diferente como eles. Seja pelo bom humor, pela exuberância ou pela informalidade, o DNCE vem conquistando muitos, e se continuarem com essa atitude, ainda vão muito longe. Estou bem ansioso para ver o que futuro tem guardado para esses quatro artistas tão espontâneos!