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Linkin Park retorna com novo álbum de estúdio e embarca em nova direção musical


Linkin Park retorna com novo álbum de inéditas e uma nova direção musical. Distanciando-se cada vez mais das raízes da banda, One More Light apresenta uma proposta um tanto quanto ousada e marca o início de uma era talvez não tão iluminada assim.

Com o lançamento de The Hunting Party em 2014, os fãs de Linkin Park tinham certeza de que a banda finalmente voltaria às raízes Nu Metal que os consagrou lá no início da década de 2000. Acontece que a banda tinha outros planos. One More Light trouxe o pesadelo dos fãs mais antigos para a realidade, canções que não lembram nem de longe o antigo estilo da banda e que vão de encontro ao pop. Mas é aí é que a banda te pega, pois se você os conhece há algum tempo e tem a mente um pouco mais aberta, perceberá que tudo isso foi anunciado bem debaixo do seu nariz.
Não entendeu nada? Vem comigo que eu explico.

Os três primeiros lançamentos, Hybrid Theory, Meteora e Minutes To Midnight foram bastante lineares, apesar de este último já esboçar uma vontade de mudança e introduzir elementos eletrônicos. Entretanto, em 2010, a banda mudou da água para o vinho e lançou A Thousand Suns, um álbum diferente e ousado, completamente fora dos padrões da época, e que pra variar foi apedrejado pelos fãs dos trabalhos anteriores. Já em 2012 tivemos o sucessor Living Things, que em busca de agradar todos os públicos, trouxe uma proposta igualmente inovadora de Rock eletrônico. Em 2014 veio o já citado The Hunting Party que provou que a banda nunca fica estagnada e trouxe de volta o metal ao som da banda, impondo uma forte identidade e fazendo novamente a alegria dos fãs antigos.

Perceberam o padrão ou nesse caso a falta dele? Não é de hoje que o Linkin Park muda de forma brusca, isso já aconteceu antes, então não há por que se surpreender tanto com esse novo trabalho, que como os outros, não falha em exalar criatividade, originalidade e principalmente qualidade.

Sem quebrar a tradição de ótimas faixas de abertura, o álbum inicia com "Nobody Can Save Me", que traz uma calma introdução, muito bem ambientada pelos teclados de Mike Shinoda que acompanham o suave vocal de Chester Bennington. A faixa vai crescendo gradualmente, culminando em um Pop Rock incrivelmente viciante, repleto de samples e teclados muito presentes, deixando de lado as guitarras características, lembrando um pouco a sonoridade do Imagine Dragons. Mantendo quase a mesma linha o disco segue com "Good Goodbye", uma faixa com forte influência do Hip hop e participação dos rappers Pusha T e Stormzy. Esta, que foi a terceira faixa do álbum a ser disponibilizada pela banda, traz uma letra que enquanto muito boa, também é forte e um tanto agressiva, contando com um refrão absurdamente chiclete, daqueles que você vai cantar junto já na terceira ouvida. Facilmente entre as mais criativas do álbum.


Se por um milagre as faixas anteriores não te conquistarem, "Talking to Myself" executará tal tarefa de maneira rápida e eficaz, assim que você ouvir as primeiras notas dos teclados que abrem a faixa. Muito bem posicionada no tracklist, a faixa sobe o clima do disco e não deixa rastros de nenhum ponto negativo, soando incrivelmente bem do início ao fim e sendo forte candidata a single, devido à letra de fácil entendimento e ao instrumental muito bem construído. Minha favorita do álbum.
Quebrando a ótima sequência, "Battle Symphony" não acompanha a grandiosidade das faixas anteriores e, que apesar de ter uma ótima letra, se mostra uma faixa morna, deixando cair o clima do álbum, algo que é acompanhado por "Invisible", a faixa seguinte, liderada por Mike Shinoda e que também decepciona, trazendo uma letra bastante pobre e um instrumental pouco convidativo.
Felizmente após a dobradinha da decepção, o ritmo do álbum é gentilmente devolvido por "Heavy", primeiro single do álbum, que tem a participação da cantora Kiiara, a primeira artista mulher a colaborar num álbum da banda. A faixa é uma curta balada, com uma letra muito bem construída e uma das mais criativas do álbum. Um dos melhores momentos da faixa é quando Kiiara entra em cena, no último verso do primeiro refrão, pegando o ouvinte de surpresa, algo que eu achei sensacional, fazendo da participação dela um grande ponto positivo do disco.


A primeira de mais uma dupla decepção, "Sorry For Now" apresenta uma proposta que eu considero bastante datada e pouco trabalhada, com instrumental que emprega elementos de Pop, Dubstep e de Hip hop, que acompanha vocais extremamente cansativos e uma letra tão pobre que chega até a ser previsível em alguns momentos, algo que se repete em "Halfway Right", que logo se mostra uma faixa bastante redundante e que não apresenta qualquer destaque a não ser pelos vocais de Chester, especialmente nos refrões. A faixa também esfria propositalmente o álbum, preparando o terreno para a faixa seguinte, "One More Light". A primeira faixa-título da história do Linkin Park também é a mais longa do álbum, com pouco mais de quatro minutos, que se arrastam em um instrumental quase silencioso, que cria um clima melancólico envolvente, dando lugar a vocais emocionantes de Chester, entoando uma letra incrível e de forma tão apaixonada que chega a confortar quem ouve. Animando uma última vez o álbum, a faixa de encerramento "Sharp Edges" traz um instrumental muito bem construído e fortemente influenciado pelo Country, acompanhando uma letra está facilmente entre as melhores do álbum, meu destaque pessoal vai para a segunda estrofe, que eu achei genial, palavra que poderia definir este álbum, mas apenas poderia.


Esse pode ter sido o maior salto criativo da carreira do Linkin Park desde Minutes To Midnight, mas também pode ter sido o maior tiro no pé que a banda já deu, e a prova mais concreta disso é a inconsistência das faixas, que em sua maioria falham em te prender. Apesar disso, o álbum foi uma surpresa boa, especialmente pra mim, fã de longa data da banda, que esperava algo mais parecido com o antecessor The Hunting Party e fui surpreendido com um belo disco de Pop Rock. Talvez o grande erro da banda tenha sido a falta de um produtor, já que assim como o último, esse álbum também foi produzido por eles mesmos, e a falta de alguém para apontar possíveis deslizes e ajudar a ter um maior controle criativo pode ter sido crucial no resultado final.
De qualquer modo, novamente contra os padrões e ao mesmo tempo a favor das rádios, o sexteto teve um retorno digno, priorizando o de sempre: renovação e qualidade.