O mal aterrissou e trouxe "Villains", o novo disco do Queens of the Stone Age


A banda do ruivo mais sarcástico do rock está de volta com um novo trabalho de estúdio e se você ainda não colocou seus quadris no seguro, a hora é agora. Confira o nosso review de Villains, o novo álbum do Queens of the Stone Age!

Pela primeira vez, Josh Homme resolveu que não iria produzir seu próprio álbum e jogou a peteca na mão do talentosíssimo Mark Ronson, conhecido mundialmente como autor do mega hit “Uptown Funk”. Com um produtor de pop na jogada, muitos fãs temiam que a banda perdesse sua sonoridade característica, mas os fãs de longa data sabem que não há produtor no mundo que consiga interferir na cabeça maluca de Josh.

Pelos ótimos singles iniciais “The Way You Used To Do” e “The Evil Has Landed”, já pudemos perceber que a banda se distanciou consideravelmente da sonoridade assombrosa de ...Like Clockwork (2013) e apostou em algo mais enérgico e animado, muito mais ao estilo de Era Vulgaris (2007), o que de certa forma animou uns e preocupou outros, por conta do quão sintéticas as faixas soam.

Nos primeiros momentos da introdução de “Feet Don’t Fail Me”, já é possível sentir a grandiosidade da faixa de abertura e, não muito depois, quando a batida começa, a vontade de dançar toma conta do ouvinte, algo que foi um dos objetivos principais de Josh na composição do álbum. Dean Fertita (que ainda será muito elogiado aqui) fez um trabalho incrível nos teclados, retomando uma técnica que caiu em desuso há algum tempo, mas que foi fortemente explorada na década de oitenta, principalmente no synthpop. Com uma pitada de sensualidade, a já citada “The Way You Used To Do” vem sem fazer cerimônia e esquenta ainda mais o clima do disco, mostrando como Josh tem evoluído como vocalista e também destaca a performance de Jon Theodore na bateria, que adicionou um ritmo contagiante à faixa, fazendo um uso genial dos toms, sem complicar demais e ainda assim impondo seu estilo.


Apesar de continuar na linha dançante, “Domesticated Animals” apresenta um ritmo mais lento e menos enérgico que as anteriores. A faixa combina elementos dos últimos três álbuns da banda, contando com a famosa lap steel guitar (guitarra havaiana) de Troy Van Leeuwen, vocais mais focados em notas graves e um tempo quebrado. O único problema da faixa talvez seja a duração, já que em seus mais de cinco minutos, a faixa não apresenta nenhum tipo de ponto alto, o que a torna eventualmente cansativa. O mesmo não podemos dizer de “Fortress”, que esfria um pouquinho as coisas, mas traz alguns dos melhores arranjos do álbum, destacando novamente o teclado de Dean e contando com uma das melhores linhas de baixo de Mikey Shoes desde a sua entrada na banda. Josh parece ter novamente colocado seus demônios na composição e como sempre, de forma magnífica.


Com lampejos de Eagles of Death Metal (banda paralela de Josh), “Head Like a Haunted House” vem para ser os três minutos mais acelerados do seu dia. Jon e Mikey tornaram a parte rítmica da faixa extremamente contagiante, além de Troy ter feito um ótimo trabalho na lap steel novamente. Em contraste com isso tudo, “Un-Reborn Again” traz algo mais cadenciado, com um leve toque de bizarrice, com arranjos que vão de piano até violino, daquele jeitinho que ouvimos lá no Lullabies to Paralyze (2005) e o baixo está bastante acentuado também, preenchendo bem a faixa e evitando a sensação de vazio que se fez presente em “Domesticated Animals”. Por conta da semelhança entre as duas, “Hideaway” parece uma versão melhorada da faixa anterior, com ritmo e progressão de acordes parecidos, mas com maior ênfase na guitarra e contando com um teclado extremamente sutil, que cria uma atmosfera única para a canção, apresentando inclusive certos resquícios da sonoridade de ...Like Clockwork, mas de forma bastante contida.

Como quem vai de um funeral direto para a pista de dança, o disco segue com “The Evil Has Landed”, que anima novamente as coisas e mostra logo de cara por que foi escolhida como single, já que seu riff principal é incrivelmente pegajoso, no bom sentido. Um dos maiores pontos positivos da canção é sua progressão, que flui muito bem por seis minutos e meio sem jamais soar cansativa, mudando até mesmo de andamento no final, encerrando a faixa em um dos momentos mais memoráveis do álbum.


Como já era de se esperar pelo histórico da banda, a última faixa é sempre uma obra prima e “Villains of Circumstance” não é exceção. Desde o calmo início até o assombroso final, a canção não decepciona e cria um clima pesado e profundo, com as guitarras claramente encontrando o seu ápice no álbum e dividindo o destaque com o baixo, que também soa fenomenal. No último minuto, a canção evolui numa linda espécie de caos, onde todos os elementos entram em perfeita harmonia apenas para atingir o ponto mais alto da faixa e encerrar abruptamente o disco em seu momento mais primoroso. Uma finalização mais do que digna para um álbum grandioso.

Josh e sua trupe conseguiram novamente renovar sua sonoridade e ainda assim soar como eles mesmos, um ato poucas vezes visto na indústria da música. A banda entregou um disco muito consistente, que não deve em qualidade para nenhum de seus trabalhos anteriores e possui faixas memoráveis, apesar da sonoridade evidentemente amarrada e contida que o álbum apresenta. Villains não só provou, mais uma vez, que uma banda de rock pode unir forças com um produtor de pop e ainda assim fazer um trabalho incrível, mas também mostrou que nunca devemos duvidar de Joshua Homme e sua mente brilhante.