A carreira lendária de Whitney Houston


Que Whitney Houston é a maior voz da história, não há discussão. Outras cantoras, outroras inspiradoras e inspiradas diretamente por Whitney, podem ter vários fatores. Mas a verdade é que apenas ela conseguiu unir uma potente voz, capaz de encher salas e salas, e também unir seu público, de todas as cores e sexualidades. E isso não foi tão fácil quanto parece.

A história começa no início dos anos 80, quando Clive Davis se encantou por Whitney. Deixando Phyllis Hyman de lado - hoje já foi revelado que todos os planos e dinheiro investidos em Whitney iriam pra Phyllis. Com um investimento nunca antes visto para uma estreia, alguns anos depois, Whitney debutou com seu álbum autointitulado em 1985. O álbum conta com músicas comerciais, sem apelo pessoal; mesmo assim, gerou incontáveis hits. Seria até difícil enumerá-los aqui, uma vez que o álbum quase inteiro estourou; o grande triunfo de Whitney é justamente imprimir sua personalidade única em músicas que geralmente não teriam tal fator. No entanto, havia um público que Whitney não estava agradando: os negros não estavam satisfeitos com uma cantora que “traía o movimento” contra os brancos, achando que ela havia se vendido. Logo, ela foi boicotada em inúmeras premiações, tendo sido até vaiada no Soul Train Awards. Já no Grammy Awards, premiação mais elitista, ganhou algumas categorias; mas foi descontada da “Artista Revelação” por não estar nos padrões exigidos.


1987 marca uma nova fase visual de Whitney: largando os trajes de gala, cantando músicas com um leve toque mais pessoal e diversificando seu som como nunca antes, ela trouxe as inesquecíveis “I Wanna Dance With Somebody” e “So Emotional” - essa última sendo, inclusive, uma das mais distantes de seu som original, com elementos de rock. A pressão de um segundo álbum era mais forte ainda, devido ao sucesso de sua estreia. Com isso, temos um álbum ainda mais produzido - o que geralmente seria um defeito, se torna um mínimo detalhe com a voz dela. E como todo passo é arriscado mas recompensante, Whitney atingiu 7 singles #1 consecutivos. É possível imaginar tamanho sucesso? Aliás, com este trabalho, ela já conquistava alguns recordes memoráveis: a primeira mulher a debutar em #1 na parada de álbuns na história da música. Não é curioso que isso só tenha acontecido em 1987? 


Com quase 3 anos de carreira, Whitney já se consolidava, passando na frente de grandes nomes como Dionne Warwick (sua tia) e Aretha Franklin (sua madrinha). Aliás, ter grandes nomes na família ajudou Houston a ter poucos inimigos - o que foi essencial para sua popularidade estrelar. Inclusive, com tão pouco tempo de carreira, ela já era considerada o maior sucesso musical da história desde Michael Jackson. E o auge nem havia chegado.

Em 1990, teríamos sua primeira reinvenção. Apesar de ser um dos álbuns menos reconhecidos pelos fãs, I’m Your Baby Tonight configura uma nova Whitney; confiante, sexy, vocalmente e criativamente livre, inclusive produzindo canções (“I’m Knockin’”). Com Luther Vandross e Stevie Wonder no time de produção, o álbum decepcionou em vendas, tendo menos da metade do segundo álbum. Ainda assim, canções como a faixa-título e “My Name Is Not Susan” trazem uma Whitney refrescante aos ouvidos. A versatilidade vocal colocou ela mais à frente das outras grandes cantoras - agora, ela já era intocável.

Em 1991, fez outro feito invejável: colocou o hino nacional americano no Top20 americano, com uma polêmica performance pré-gravada. Vale reforçar que em 2001, o single seria relançado, atingindo a #6 posição nos charts. Qual cantora conseguiria esse feito com o hino nacional?


Whitney não ficaria sem muita popularidade como em 1990 por longo tempo. Pelo contrário: em 1992, quando ninguém apostava mais na cantora (inacreditavelmente), Kevin Costner decidiu que era hora dela brilhar. Os produtores diziam que o auge dela havia passado, mas eles nem imaginavam o que vinha pela frente. O papel de Diana Ross foi dado à Whitney, que veria sua carreira despontar como nunca. O Guarda-Costas, lançado no final do ano, foi um completo fracasso de críticas enquanto filme; por outro lado, a trilha sonora tinha vendas astronômicas. O cover de Dolly Parton em “I Will Always Love You” se tornou o que é, provavelmente, a maior canção da história. Além disso, emplacou hits como “I Have Nothing” e “I’m Every Woman”; esta última, cover daquela que lhe deu a primeira chance: Chaka Khan. Apesar de ter tentado vários outros filmes, nenhum chegou perto do primeiro hit. A trilha sonora permanece como a mais vendida da história.


Era hora de um novo álbum solo de estúdio, que desde 1990 não acontecia. Em 1998, seu maior triunfo, pelo menos no nicho crítico, seria o lançamento de seu último álbum de estúdio relevante: My Love Is Your Love. Com mais identidade do que nunca, Whitney bravejava sua independência e sonoridade única, mostrando performances invejáveis em canções como “If I Told You That” (que mais tarde ganharia um remix genial com George Michael) e “I Bow Out”. Aqui que, inclusive, Whitney se firmou como ícone LGBT, com o inesquecível clipe de “It’s Not Right But It’s Okay”, emplacando a original e o remix Thunderpuss. Seu dueto icônico com Mariah Carey também seria inserido no disco, tornando-o mais único e icônico ainda. O resultado final é um dos melhores álbuns da história, pontualmente sonorizado e masterizado. O sucesso mundial não era o mesmo de antigamente, mas o respeito e genialidade de Whitney havia atingido um ponto que não precisava mais de muito. O respeito e prestígio jamais seriam atingidos por nenhum outro artista.


Seu último gosto de grande sucesso veio em 2000, com o lançamento do Greatest Hits. Virando referência para os que não conheciam seu trabalho, o álbum venderia 10 milhões de cópias. Depois desse trabalho, ela nunca mais veria o sucesso anteriormente conhecido. Just Whitney, lançado no ano seguinte, seria um fracasso de vendas e crítica. Com menos de 1 milhão de cópias, a voz de Whitney já demonstrava desgaste, além de canções raivosas, induzidas pelo desgosto da cantora com a mídia que frequentemente perseguia a ela, sua filha e seu (ugh) ex-marido.

Com um álbum de Natal pouco divulgado no meio do caminho, ela só retornaria em 2009, com I Look To You. Era seu grande retorno e nada poderia dar errado. A performance triunfal de “I Didn’t Know My Own Strenght” na Oprah Winfrey foi marcante, emocionante e impressionante. O álbum era bem produzido e conseguiu disfarçar a voz que já havia partido, mas a turnê de Whitney para promoção do álbum se mostraria um verdadeiro fiasco. Motivações pessoais a parte, já que não cabe a nenhum de nós julgar, era triste ver um legado de 20 anos acabar em 2 anos.


Mas ainda tínhamos esperança que tudo estivesse bem com ela…Não estava. Mas não é da nossa conta. O importante é sempre reforçar:

Não há outra Whitney. Nunca haverá. Sua voz era inigualável, sua performance vocal era única. Seu impacto nas questões raciais e na sexualidade foi, também, único. Ela tem inúmeros recordes, quebrou milhões de barreiras, e faz jus a isso. Ela tem a voz mais conhecida do mundo e nunca se gabou disso. Ela foi humana. Lutou, do seu jeito, até o final. Estamos falando de uma humana, que amou, que chorou, que sofreu, que cantou, que foi como qualquer um de nós, mas que tinha poderes sobrenaturais.

Essa foi Whitney Houston.
Nunca lhe esqueceremos.

Escrito por: Rodrigo Izetti




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