Entenda como "Interiors" firmou o Quicksand como uma das bandas mais importantes da atualidade


Com Foo Fighters, Queens of the Stone Age, Royal Blood e outros grandes lançamentos em 2017, acabamos deixando Quicksand passar despercebido, mas cá estamos nós para correr atrás do prejuízo, pois o retorno triunfal da banda e seu primeiro álbum em 22 anos merecem a devida atenção. Confira com a gente o surpreendente Interiors.

Para quem não está familiarizado com o Quicksand, aqui vai um pequeno resumo da história deles:
A banda começou em 1990, lançou um EP autointitulado no mesmo ano e os álbuns Slip e Manic Compression em 1993 e 1995 respectivamente. O stress em decorrência da turnê do segundo disco fez a banda se separar no mesmo ano, com um pequeno retorno em 1997 que também acabou em brigas e fez a banda se separar novamente.

Isso nos traz a 2012, com um novo retorno, novas turnês começando no ano seguinte e o início das atividades em estúdio que dariam vida a um álbum, que posteriormente viríamos a conhecer como Interiors, lançado em 2017. O álbum logo se provou um dos melhores do ano e ainda posicionou a banda como uma das melhores do momento, patamar que nunca haviam atingido.

O primeiro single e faixa de abertura “Illuminant” inicia o disco com toda sua grandiosidade e já dá uma boa ideia de como será o restante do álbum, bateria marcante, baixo forte e guitarras extremamente precisas e equilibradas entre peso e melodia, além de um vocal absolutamente visceral e letras essencialmente metafóricas, que dão ao ouvinte toda a liberdade de interpretação.


“Under the Screw” e “Warm and Low” seguem uma linha semelhante, mas com a primeira sendo mais agressiva, especialmente na bateria, e a segunda focando muito mais no peso, sustentada pelo baixo quase que o tempo todo. Ambas as faixas demonstram a habilidade da banda de usar vocais suaves em torno de instrumentais extremamente vorazes, algo que não é muito comum nos dias de hoje.


Caindo para a calmaria, o segundo single “Cosmonauts” é uma canção lenta e melancólica, carregada de guitarras com delay e uma letra até comum da carreira da banda, mas executada de uma forma que até surpreende os fãs mais antigos. A faixa-título “Interiors” vem na sequência, pra lá de arrastada e seguindo na mesma melancolia, mas dessa vez acompanhada de guitarras um pouco mais fortes.


“Hyperion” ainda carrega lampejos da leveza das outras faixas, mas traz seu próprio peso e ainda destaca os ótimos vocais de Walter Schreifels, que aparentemente treinou muito bem sua voz desde os primeiros álbuns. “Fire This Time” acelera um pouco as coisas, mas não chega a esquentar o clima do disco, apenas prepara o terreno para que a faixa seguinte execute a tarefa.


“Feels Like a Weight Has Been Lifted” começa como quem não quer nada, mas logo explode em torno do baixo de Sergio Vega, que dá um groove extremamente envolvente para a faixa e leva a canção basicamente nas costas. “Sick Mind” é um tanto estranha, não se esforça nem um pouco para impressionar e se mantém morna do início ao fim. Apesar disso, é uma boa faixa e destaca bem a habilidade técnica de Alan Cage na bateria.


“Normal Love” apresenta uma das melhores e mais complexas letras do disco e traz um instrumental extremamente marcante, especialmente pela forma como a atmosfera da canção se desenvolve em um clima de despedida, casando perfeitamente com o posicionamento da faixa dentro do álbum e encerrando o mesmo de forma absolutamente brilhante.


Não por acaso, Interiors foi aclamado pela crítica e amado pelos fãs. O álbum acabou mudando o direcionamento musical da banda, mas sem deixar de lado a identidade criada por eles, demonstrando uma enorme evolução de cada um dos integrantes. Outro ponto a ressaltar é a ótima produção do disco, que soa exatamente como precisa, com cada elemento em seu devido lugar e, principalmente, em seu devido volume. Esperamos que o Quicksand não demore mais duas décadas para nos presentear com outro álbum magnífico como esse.