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Toni Braxton se entrega aos seus sentimentos em clima intimista de “Sex & Cigarettes”


Depois de um bom tempo longe dos holofotes, a rainha do soul/R&B marca seu retorno com o intimista Sex & Cigarettes, seu primeiro disco solo em 8 anos. A intensidade de cada sentimento faz com que aplaudir de pé não seja uma opção, mas sim uma consequência quase que instantânea! 

Toni Braxton foi um dos maiores nomes da cultura pop dos anos 90, mas não soube administrar seu dinheiro e entrou em falência duas vezes. Com isso, seu nome enfraqueceu, a cantora se viu tendo que vender grande parte de seu respeitável catálogo. A vida dela não tem sido fácil, ainda mais após ser diagnosticada com lúpus e ter passado por um divórcio alguns anos atrás, tudo ao mesmo tempo que lida com as delicadezas de cuidados do filho autista.

Mas nada disso conseguiu entrar no caminho de seu talento. Em 2014, com o apoio de seu grande amigo e colaborador Babyface, lançaram o genial Love, Marriage & Divorce, sutilmente pincelado com temáticas sobre amores frustrados. Aclamado pela crítica, o álbum vendeu pouco mais de meio milhão de cópias mundialmente e isso ajudou Toni a engatar as gravações de seu ábum Sex & Cigarettes.

Agora em 2018, 8 anos após o lançamento de seu último álbum solo (Pulse, 2010), ela nos traz o auge do R&B de volta com um trabalho curto, porém curiosamente incrível. Produzido por Paul Boutin (Yours Truly, Ariana Grande; e também produções com Aretha Franklin, Céline Dion, Alicia Keys e a própria Toni), o disco segue uma linhagem levemente triste, porém profunda e bem construída. É como se ela nos levasse diretamente a um quarto de motel beira-estrada nos EUA para um cenário pós-sexo com odor de cigarros.


 Ao abrir com “Deadwood”, percebe-se que essa é a canção que precisávamos para iniciar o álbum. É aquele convite inevitável, contagiante, com um refrão fácil de se cantar e vocais marcantes. Na faixa-título, que dá continuidade, ouvimos uma Toni tão despida de barreiras, tão nua e crua, que é uma chocante e agradável surpresa. A agonia toma conta do ar na canção, mas então somos introduzidos a “Long As I Live”, o segundo single do álbum. O clima ameniza, mas só para preparar para “FOH (Fuck Outta Here)”. É um direcionamento diferente, mas não chega a ser tão marcante.


Pelo menos não quando antecede “Sorry”, um dos brilhos do álbum. Vocais excelentes, produção respeitável, melodia cativante: afinal, porque não foi esta canção o primeiro single? Vamos pra “My Heart”, que Colbie Caillat faz featuring figurativo tocando violão e fazendo backing vocals. O sentimento vem à flor da pele mais uma vez, mas dessa vez ela não sente muito por ela: ela sente por não conseguir ser mais que uma amiga. Com esse clima, vamos para o twist de “Coping”, uma canção que tem tudo para explodir nas rádios com um bom remix dance, já que a canção clama por isso. Independente do remix, segue sendo uma sacudida na poeira discutida até agora. “Missin’”, última canção do álbum, é o melhor encerramento possível. Produzida por ninguém menos que Tricky Stewart (Beyoncé, Mariah Carey, Christina Aguilera, Katy Perry, Rihanna e muitos outros), é o grande hit do álbum. É refrescante ouvir a voz de Toni num ritmo mais dançante, e é um ciclo completo iniciado no álbum.

A história é essa: ela discutiu todas as suas dores e medos do início do álbum ao final, chegando a conclusão que quer apenas se divertir, não importa se vai se apegar. É o ciclo completo de um coração partido: luto, dor e aceitação final. É Toni Braxton trazendo um dos seus auges de qualidade.

Escrito por: Rodrigo Izetti