Hayley Kiyoko supriu as expectativas com seu debute "Expectations"?


A mais nova queridinha do pop side-b é Hayley Kiyoko, que vem conquistando uma boa quantia de fãs desde os singles “Curious” e “Girls Like Girls”. Será que seu álbum de estreia, Expectations, supriu a nossa expectativa?

Hayley Kiyoko surgiu no mainstream quando participou do filme “Lemonade Mouth”, da Disney, e mesmo antes do filme já havia feito pontas em “Feiticeiros de Waverly Place” e até abrindo pro Justin Bieber com sua ex-banda, The Stunners. Simplificando, a artista sempre passeou pelo mundo da atuação e da música sem problemas. Nos anos subsequentes, participou da série de sucesso “The Fosters” e ainda protagonizou o filme da Netflix “XOXO”.

Sua carreira solo como cantora, no entanto, teve início em 2013. Totalmente financiado por fãs, A Belle to Remember não fez tanto barulho no mainstream, mas colocou a cantora como algo que deveríamos prestar atenção. A notoriedade veio, portanto, em 2015, quando lançou o lead-single de seu segundo EP, “Girls Like Girls”. O clipe somado à canção tratavam da homofobia e principalmente da naturalidade em garotas gostarem de garotas, sexualidade já assumida por Hayley.


Pulando alguns anos, chegamos a 2018. Seu primeiro álbum completo, Expectations, é lançado, mostrando tudo que a cantora tem a oferecer. É louvável que Hayley não só escreva todas as canções de seu repertório, como também seja diretora principal de seus clipes. Ela decidiu tomar conta das rédeas de seu conteúdo criativo uma vez que queria falar de interesses amorosos femininos, e os chefões sempre diziam “mais uma vez?”. Sim, mais uma, duas, três, quantas vezes for necessário, quantas vezes ela quiser. É a arte dela, e é digno de aplausos que ela se posicione sempre frente a isso.

Indo direto ao ponto, Expectations é uma agradável surpresa diante o pop atual. O álbum conta com uma estrutura rara hoje em dia: interludes, overtures, várias músicas combinadas em apenas uma. Tudo isso mostra uma personalidade forte, que não se importa somente em trazer hits prontos, mas imprimir sua personalidade em seu trabalho autoral.

Iniciando com “Feelings”, temos uma sonoridade com pitadas de anos 80, que jamais soa óbvia e ainda assim consegue contagiar sem mesmo ter um refrão explosivo, já clichê nas canções dançantes. Somos levados então ao grande destaque do álbum: não há dúvidas que Kehlani é um dos maiores destaques dos últimos anos (é sempre bom recomendar seu álbum de estúdio), e quando se une a Hayley, temos “What I Need”, uma canção explosiva e deliciosa. A atitude impressa por ambas na canção torna desta o que possivelmente é a melhor canção do álbum, com ganchos inteligentes e produção respeitável.


Desacelerando um pouco, somos prestigiados com “Sleepover”, um dos grandes destaques do álbum. A canção fala sobre uma paixão secreta por sua amiga e trata dos sentimentos tristes que às vezes temos numa situação assim. Isso dá abertura à “Mercy / Gatekeeper”, duas canções que casam perfeitamente num ambiente de desespero, misturado a uma sonoridade misteriosa. Ambas tratam sobre sua síndrome pós-concussão. A forma poética que ela consegue imprimir nas canções é admirável, uma vez que você consegue, de fato, entender o que acontece com ela. É com essa ideia que recebemos a segunda canção múltipla do álbum, “Under the Blue / Take Me In”. Não é um grande destaque, mas vale pela continuidade poética.

“Curious” dá uma continuidade perfeita: é, atualmente, a canção que Hayley é apresentada ao mundo. É como uma continuidade temática que Demi Lovato inseriu lá em “Cool for the Summer” (“Just something that we wanna try”), mas a sonoridade em nada se parece. Pelo contrário, “Curious” é uma canção pop moldada à perfeição, com melodia cativante e um fim repentino, que te dá vontade de ouvir mais e mais e mais.


 O álbum então se divide nesse momento, tendo “xx” como introdução para a segunda parte do trabalho. Vamos a “Wanna Be Missed”, única canção do álbum com produção de um time diferente: The Futuristics, que trabalharam com Selena Gomez (“Fetish”), Camila Cabello (“Something’s Gotta Give, Bad Things”) e ainda os hits recentes de G-Eazy. A canção brinca mais com os vocais da cantora, numa vibe mais sensual e sedutora. É um respiro no ritmo do álbum, e a produção é de fato um destaque.

 E então, toda a atitude da cantora entra em “He’ll Never Love You (HNLY)”, em que ela diz que ele nunca vai amar a garota como ela ama. E ela faz questão de frisar isso com muita personalidade, com toques latinos. Essa sonoridade muda de volta pros anos 80 em “Palm Dreams”, que poderia muito bem ser algo do Nile Rodgers - e isso é um elogio dos maiores. Diretamente das discotecas de décadas atrás, é impossível não se contagiar no ritmo da canção. “Molecules” e “Let It Be” não são grandes destaques, mas fecham o álbum com maestria.

Concluímos, portanto, que Hayley conseguiu entregar um álbum extremamente coeso e bem produzido, tendo ainda o prazer de ser compositora principal de todas as canções. Seu trabalho merece maior reconhecimento, ela merece estar no mesmo patamar que artistas como Troye Sivan e Halsey, trazendo ainda uma sonoridade mais pop. O resultado? Excelente!


Escrito por: Rodrigo Izetti