Lykke Li inova com seu indie melancólico em "So Sad So Sexy"



Com So Sad So Sexy lançado nessa última sexta-feira (8/6), Lykke Li, famosa pelo seu hit “I Follow Rivers”, inova com sons eletrônicos e explora todo o clima de término de relacionamento. Desde o começo, podemos sentir a melancolia emergir no clima obscuro.

Dando partida de forma extraordinária, o álbum já começa com os próprios singles. A primeira faixa, “Hard Rain”, nos introduz a um som inovador, bem diferente do que a cantora fazia antes. Percebemos que os instrumentos de corda foram deixados de lado para dar lugar a sintetizadores e sons computadorizados. A voz, desta vez, é algo que ganha mais destaque, enquanto a melodia segue em segundo plano. Há quem diga que a cantora seguiu influências do dubstep britânico para a criação do disco, e de fato essa é uma afirmação um tanto quanto coerente.


A narrativa mostra um casal em um relacionamento problemático e tóxico. Se inicia com todos os problemas sofridos por eles, até chegar ao momento do término e no ponto em que a personagem sente saudade. Em “Deep End” ela ainda é refém do parceiro, diz que não queria ter entrado na relação, mas agora está presa nela. Exagera no uso da metáfora do afogamento para simbolizar a sua situação até no clipe da música. Algo realmente inspirador e artístico!


O R&B é utilizado por Lykke Li pela primeira vez no belo experimentalismo apresentado na parceria com o rapper americano Aminé. “Two Nights” segue o clima alternativo e melancólico ao demonstrar o sentimento de traição e de que tudo está prestes a desmoronar. Essa e muitas outras faixas lembram o álbum Goddess de Banks, por conta também dos sons eletrônicos e a voz aguda.

A cantora sueca desfruta também das baladas românticas. Com “Last Piece” sentimos uma animação a mais, porém quando nos atentamos a letra, vemos que tudo continua extremamente obscuro, mesmo que nessa fase ela já tenha entendido a situação do casal e aceitado a separação. Então, tudo passa a ficar muito repetitivo, que parece proposital apenas para “Sexy Money Feeling Die”, onde  ela representa seu relacionamento como um ciclo vicioso de curtição que no final se torna algo ruim. 

A partir de “Better Alone” a personagem já se separou, analisou a relação e sente falta dela. Admite todos os erros e também prefere a situação em que está agora. Algo que regride em “Bad Woman”, pois ela volta ao estado de arrependimento e pede uma última chance para concertar os seus erros, expondo todas as suas inseguranças e fraquezas em cima de uma balada amarga e delicada.


Para o fechamento, toda a narrativa de So Sad So Sexy é transformada. “Utopia” é uma música feita de mãe para mãe. Homenageia a mãe de Lykke Li que morreu em 2017 e o seu filho Dion. Seu clipe traz imagens dele e da infância da cantora. A atmosfera familiar parece ter sido a solução para tudo, em uma homenagem cativante e de emoção extrema. Após uma fase melancólica, ela quer viver um mundo perfeito com quem mais ama. Sente falta e quer voltar aos momentos bons vividos com a sua família.