Premiere revela processo criativo por trás do EP homônimo e fala sobre turnê de estreia



Com o EP de estreia recém-lançado, a banda Premiere se tornou uma das grandes revelações do rock nacional de 2018. Com um som visceral cheio de identidade, o grupo nos conquistou e com certeza vai te conquistar. Aproveitamos esse momento para bater um papo com os caras e saber um pouco mais da visão deles sobre a cena do rock atual e o processo criativo da banda ao lado dos consagrados Giu Daga e Rick Bonadio. 

Composto por Jones (vocalista), André Seven (guitarrista), Lipão (baterista) e Felipe FR (baixista), Premiere traduz a música em uma pegada pesada que viaja pelo metal e hardcore como você nunca viu antes. Com influências indo desde Social Distortion a Stone Sour, o grupo traz uma versatilidade que não víamos há um bom tempo na cena do rock brasileiro. 

Com a produção de Giu Daga e direção artística de Rick Bonadio, o EP homônimo do Premiere recebe o selo da Midas Music. Com um material de peso que te leva ao bate-cabeça em questão de segundos, o som do grupo chegou rasgando com tudo e promete agradar tanto um público amplo que consome música por rádio até o mais nichado. 


Tendo tanta coisa acontecendo na carreira da banda, não poderíamos deixar de aproveitar a oportunidade para conversar um pouco com eles sobre tudo isso. Batemos um papo com Jones e Felipe FR sobre o cenário atual do rock, o EP de estreia e a turnê que está por vir. Confira na íntegra:

KT: Para começar, alguns de vocês já estão na cena desde 1999. O que fez com que vocês quatro se unissem nesse novo projeto e como vocês veem que a Premiere difere em comparação com as outras bandas em que estiveram?

JONES: Eu e o Seven já nos conhecemos há muito tempo... Frequentamos a cena underground paulistana desde 99, tocamos juntos em bandas como Stoosh, Atentado HC entre outras... Mas foi no final de 2014 que nos reencontramos numa festa de amigos em comum e, depois de muitas doses de whisky, resolvemos formar uma banda novamente. Porém a coisa foi se concretizar mesmo no final de 2016, com a chegada do Lipão e do Felipe FR. Mesmo com influências diversas entre nós, o que nos uniu e formou o Premiere foi a busca por algo que fosse verdadeiro, que fosse nossa real identidade sonora.

KT: E com tantos anos de estrada, experiência é o que não falta para vocês. Gostaria de saber qual é a visão de vocês sobre a cena nacional do rock e hardcore, e como vocês enxergam que ela tem evoluído nos últimos anos?

JONES: Muitos dizem que falta espaço, que falta apoio, que o rock não se renova, que falta união, enfim... Isso até que fez sentido durante algum tempo, mas o que vejo atualmente é uma cena em ebulição, com dezenas de bandas e pessoas que trabalham sério e que realmente tentam fazer a coisa acontecer, apesar dos infinitos percalços do caminho... Talvez o que ainda falte hoje em dia seja todos nós termos um olhar menos saudosista e mais disposição para abraçar o novo, o atual, o agora!

FELIPE FR: A cena tenta sempre crescer e agregar novas bandas mas ao meu ver falta apoio dos próprios fãs que não prestigiam os eventos underground como prestigiam outros eventos como de covers ou de bandas internacionais. E acho que falta um pouco de união real entre as bandas desse cenário atual, é muito individualismo.

KT: Vocês todos tem gostos bem plurais, né? Vocês curtem desde o punk rock e hardcore californiano até o stoner e metal. E pra formar o som da Premiere, vocês utilizaram todos esses gêneros como referência, criando um som bem diverso e interessante. Como você acha que essas inspirações influenciaram em cada música do EP?

JONES: Acabou sendo algo meio “orgânico”, “visceral” quando as primeiras composições começaram a sair... Apesar de nossas influências individuais, a ideia central sempre foi buscar algo que nos satisfizesse como músicos, que exteriorizasse a nossa verdade, nossas ideias, sem preocupação com modismos... e o resultado é esse que vocês estão conhecendo agora.

KT: E para esse EP de estreia, como foi o processo criativo ao lado de Giu Daga e Rick Bonadio? De que forma eles agregaram ao trabalho de vocês?

JONES: Já havia trabalhado com alguns produtores e estúdios durante a caminhada, mas estar ao lado de Giu Daga e Rick Bonadio realmente tem sido uma experiência única. Os caras são simplesmente os melhores produtores do Brasil! O trabalho todo foi (e é) explorar ao máximo nossa verdade como banda, sem preocupações mercadológicas ou tendências... Basta escutar a faixa “Rolo Compressor”, prestar atenção em letras como “6mg”, “Vai que vai”, enfim, vai entender do que estou falando...

KT: Em “6mg” e em alguns outros momentos do EP temos a presença intrigante de elementos eletrônicos. De quem veio a ideia de trazê-lo à produção?

JONES: Essa ideia veio logo de cara do Giu Daga quando produzimos a “Freakshow” para um piloto de programa de TV. Ele disse meio assim: - Galera, tenho uma surpresa (risos)... E nos apresentou a primeira mix da “Freakshow”... Lembro que foi algo arrebatador, era como se tivéssemos encontrado a chave que faltava haha!

KT: Aliás, aproveitando que estamos falando do EP, a música de trabalho é “Vai que Vai”. Por qual motivo vocês escolheram essa música em específico para representar a banda e o EP em si?

JONES: Escolher a música de trabalho foi um processo bem difícil pra falar a real, pois todos nós ficamos muito satisfeitos com o resultado de todas elas.. é como escolher qual o filho mais bonito kkk.. foi um processo doloroso! Tiveram várias e várias rodadas de audição onde, num determinado momento, todos que trabalham no Midas desciam para o estúdio para dar o seu voto rs... e a vencedora apertada foi a “Vai que Vai“!


FELIPE FR: Poderia ter sido alguma outra música do EP para ser a música de trabalho? Sim, mas através de audições a escolha acabou sendo a “Vai que Vai”. Acredito que em um futuro próximo poderemos usar alguma outra música deste EP para fazer um novo videoclipe. 

KT: E depois da divulgação atual, quais são os planos da banda? Já pensam em uma possível turnê ou em um álbum completo? Pra finalizar, vocês poderiam mandar uma mensagem para quem está conhecendo a Premiere agora e talvez adiantar pra eles algumas novidades que estão por vir?

JONES: Os planos são os mais loucos possíveis rs.. O trabalho está sendo muito bem recebido pela crítica e por todos que, de uma forma ou de outra, estão em contato com o Premiere. A partir deste mês estaremos saindo para uma turnê nacional de divulgação, passando por cidades como São Paulo, Curitiba, Varginha, Goiânia, Natal, João Pessoa, Recife, RJ entre outras... E para todos que nos seguem, acompanham nosso trabalho, mandam mensagens, podem ter certeza de que estamos apenas começando nossa jornada e que estamos nessa pelo novo Rock Brasil pro que der e vier!

FELIPE FR: Os próximos passos depois dessa turnê que está por vir passando por algumas cidades do país é de produzir mais material. O tempo dirá o momento certo. Para quem está conhecendo nosso trabalho apenas digo que estamos passando a mesma energia do EP para os nossos shows!