Greta Van Fleet: Um novo álbum, o conceito de sempre?



A espera acabou e finalmente cá estamos, com o tão aguardado álbum de estúdio do Greta Van Fleet! Os meninos se mostram promissores desde sempre, mas em Anthem of the Peaceful Army eles se superaram e deixaram a criatividade fluir. Se você gosta de rock and roll, esse álbum é pra você!

Antes de qualquer coisa, é necessário entender que, por mais virtuosos que sejam, os integrantes que compõem o Greta Van Fleet são garotos muito jovens e com uma enorme sede de música. Provavelmente, tendo essa informação, é bem mais fácil entender como diabos encontramos tantas influências diferentes em um só trabalho, certo? Então vamos lá!

O lançamento anterior da banda foi o EP From the Fires, cuja sonoridade era simplesmente 80% Led Zeppelin, o que é impossível negar, não só pelos vocais de Josh, que se assemelhavam absurdamente aos de Robert Plant, mas também pelos riffs de Jake, que inevitavelmente foram comparados aos da lenda viva Jimmy Page. Nesse primeiro álbum, a banda aparentemente percebeu que não dá pra ficar na sombra dos setentões pra sempre, ao menos não se quiserem ganhar seu próprio espaço na músicas.

Agora caminhando com as próprias pernas, a banda compôs seu primeiro álbum de estúdio e fez bonito, ainda incorporando influências de Led Zeppelin, mas dando espaço para traços de The Who, Rolling Stones, Scorpions e até uma pitadinha de Cream na mistura. Pela primeira vez, Josh não parece imitar Plant e abraçou de vez o tom original de sua voz, enquanto o baixista Sam agora também se aventura nos teclados (onde mais já vimos isso, hein, gente?).

A faixa de abertura “Age Of Man” com certeza soará um pouco estranha, tanto aos fãs quanto aos novos ouvintes, pela sonoridade mais puxada ao rock progressivo, algo que lá não é muito comum nos dias de hoje. A canção tem um refrão forte e uma pegada mais leve que a maioria das outras faixas do álbum, com teclados marcantes e vocais surpreendentemente agudos.

Passando para a próxima marcha, “The Cold Wind” acelera um pouco mais o ritmo e apresenta uma das melhores combinações refrão-verso do álbum. Além da ótima bateria e do riff contagiante, a faixa conta com um solo de guitarra e uma linha de baixo simplesmente sensacional, tão bem tocada que mal é possível perceber algum padrão.

Seguimos com o lead single “When The Curtain Falls”, que mantém a animação da faixa anterior e também se destaca pelo baixo e o maravilhoso solo de guitarra. Os vocais de Josh também se sobressaem e mostram que o menino achou sua própria voz e sua própria forma de cantar. Ao mesmo tempo que a faixa é ótima, ela ainda não vai nada além do esperado.


Mais morna e cadenciada, “Watching Over” retorna ao progressivo e concentra seus esforços no instrumental, que é extremamente bem construído, contando até mesmo com uma guitarra especialmente modificada para soar como um sitar. A base da canção é muito bem preenchida com várias linhas de guitarra e os vocais de Josh novamente se destacam por cima delas.

Caindo pro lado mais stoner do rock, os meninos se encontraram lindamente em “Lover, Leaver (Taker, Believer)”, nela a banda realiza tudo que o Graveyard tentou e apenas chegou perto. Josh está apenas incrível nos vocais, Danny e Sam também são destaques em seus instrumentos, mas é Jake que realmente brilha aqui, pois o que esse menino faz na guitarra é de outro mundo.


Aqui as coisas decaem um pouco. “You’re The One” é uma baladinha sem sal, com uma das letras mais clichês dos últimos anos, realmente não empolga nem um pouco. Definitivamente decepcionante. Em seguida temos a semi-acústica “The New Day”, que também falha em impressionar e mais parece uma faixa bem desinteressante saída diretamente da trilha de algum filme infantil.

Voltando ao normal, a ótima “Mountain Of The Sun” retoma os ânimos, mas continua pouco empolgante, trazendo apenas o padrão esperado e nada além, bem ao estilão do primeiro EP da banda. Já na sequência temos a surpreendente “Brave New World”, que se mostra uma das melhores canções da banda, lembrando bastante o tipo de rock do início do Scorpions, com baixo bem presente, andamento arrastado e momentos psicodélicos, ainda com um leve toque de rock progressivo. Os vocais de Josh se destacam novamente, além do já citado baixo de Sam e o ótimo solo de guitarra de Jake.


Infelizmente o álbum não se encerra no topo e a canção de encerramento “Anthem” custa a engrenar, muito por conta do arranjo acústico e minimalista, que parece tentar emular algo do saudoso Blind Faith. A faixa por si só não chega a ser ruim, mas seu posicionamento no álbum, acabou por comprometer a experiência como um todo. Nem tudo são flores, né?

Ao todo, o álbum não atendeu às expectativas, deixando a desejar em vários pontos, sendo essencialmente morno. Com exceção de três ou quatro faixas, a impressão que temos é de como se nos fosse servido um prato com pouco sal e o mínimo de tempero. Ao contrário do primeiro trabalho deles, Anthem Of The Peaceful Army demonstra uma certa falta de criatividade e algum desleixo na parte da produção. Contudo, apesar do desapontamento que o álbum causa, ainda é possível aproveitá-lo de forma moderada, especialmente se não exigirmos tanto de uma banda iniciante. Esperamos que, no futuro, os meninos tenham mais cautela e deixem de lado a pressa, o que deve ajuda-los a nos entregar um trabalho mais consistente e menos disperso.


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