Jess Glynne se banha de positividade pop em "Always In Between"

Depois de tanta espera, finalmente temos o tão aguardado segundo álbum de Jess Glynne. Always In Between a consolida como uma das figuras pop em ascensão mais potentes da indústria. 

Jess Glynne já é um nome de peso na Europa, principalmente no Reino Unido. Mesmo depois de seu sucesso massivo com “Rather Be”, ao lado de Clean Bandit, a cantora emplacou sete de suas músicas do álbum de estreia no topo das paradas. Não é pra qualquer um, né?

O mesmo feito deve se repetir em Always In Between, obra que traz seu timbre único e feroz se encontrando com batidas pop powerhouse perfeitas, dando às canções um aspecto colossal de hinos para pistas de dança. É grandioso, eclético, consistente e muito despojado do começo ao fim. 


A “Intro” já começa o álbum com muita classe e um toque soul-pop bem iluminado que coincide com a positividade expressa em versos como “I'm writing on a different page, I'm riding on a different wave. You're getting my love”.

Seguindo com a produção impecável de Toby Gad em “No One”, a rouquidão de Jess ganha cor ao lado de um piano cheio de vida e adrenalina. Em versos como “Because you’re no one until you’re somebody to someone”, a cantora exala seu amor de forma majestosa e pulsante. Em momentos como esse, percebemos qual é uma das principais preciosidades da cantora: transformar os temas mais sensíveis em grandes hinos de celebração. 

Seguindo, temos batidas envolventes e um clima bem amistoso que ganham destaque no carro-chefe #1 no Reino Unido, "I'll Be There", e em "All I Am", segundo single do álbum que é banhado por percussão Disco animada e dançante. Ambas trazem a temática de amizade e consigo um ritmo incrivelmente libertador.


Uma das maiores surpresas acontece em "Thursday", cuja composição é assinada em colaboração com Ed Sheeran e a produção fica por conta de Steve Mac. A balada acústica expõe, de forma completamente genuína, o lado mais delicado da cantora. Trazendo suas inseguranças à tona com uma magia lírica e melódica. Em versos como “I wanna sing, I wanna dance. I wanna feel love inside my hands again. I just wanna feel beautiful”, as palavras de Jess penetram em nossas almas e confortam nossos corações. Foi uma escolha inteligente para ser o terceiro single da era. 

A mesma fórmula é aplicada em "Broken", uma balada encantadora que nos presenteia com um violino espetacular ao fim. Sem medo de expor novamente suas inseguranças e seu lado mais vulnerável, Jess Glynne parece nos abraçar com sua verdade através da música.

Mas as baladas não são as predominantes no trabalho. A maioria de Always In Between é representada por celebração e melodias cheias de personalidade provenientes do soul-pop, tão bem registradas no charme e atitude de "123"; na suavidade romântica e batidas marcantes de "Never Let Me Go"; na fluidez aveludada de "Hate/Love"; no power pop enérgico de "Won't Say No", que certamente vai entrar na sua playlist do chuveiro; e até mesmo no flow único, despojado e até ousado de faixas mais descontraídas como "Rollin", "Nevermind" e "A Million Reasons".


Além disso, contamos também com parcerias maravilhosas. A iluminada e inspiradora "These Days", colaboração com Macklemore, Dan Caplen e Rudimental, traz um encontro da música surpreendente que se fundem de forma amistosa e memorável. Essa canção é luz por si só. Em contraste, "So Real" conta com Too Many Zooz e KDA em uma explosão de glitter musical que surpreende com batidas agitadas e dançantes feitas para as pistas de todo o mundo. 

Para fechar com chave de ouro, temos a preciosa "Insecurities", que encerra o disco de forma singular, honesta e inspiradora. Após tantas batidas extrovertidas, temos nessa balada stripped down o ápice de sua beleza introspectiva, que encerra o disco com versos crus da alma de Jess, como “I've stretched myself too thin. Tried to be everything”, mostrando como seu trabalho é humano acima de tudo.

Com esse disco, Jess Glynne se firma como uma artista pop completa, dessa vez com um repertório ainda mais plural, banhado a hinos pop perfection que escapam da fórmula tão repetitiva das rádios. Pelo contrário, a cantora tem sua identidade artística bem coesa, sabendo explorar todo tipo de instrumento e expressar todo tipo de emoção, sempre com muita verdade e positividade.