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Fever 333 retorna com o surpreendente "Strength In Numb333rs"



A espera acabou! O novo álbum do Fever 333 veio com tudo, aprimorando a sonoridade do primeiro EP e provando que eles vieram mesmo pra ficar. Se anteriormente a banda parecia promissora, agora com Strength In Numb333rs eles se mostram ainda mais decididos a balançar o cenário do rock mainstream, mas será que eles conseguem? Vem conferir!

Como já falamos por aqui, o Fever 333 traz um leque de influências muito grande, indo de Beastie Boys até Linkin Park, passando por Rage Against the Machine. O primeiro EP dos caras foi quase que um aviso do que estaria por vir e deixava pistas de que eles preparavam algo ainda mais ambicioso para um futuro próximo, o que para uma banda nova pode ser perigoso.

Agora com Strength In Numb333rs em mãos, podemos dizer que a pista da ambição os jogou no acostamento da pretensão.

Para o desespero de quem gostou do primeiro lançamento deles, as faixas do novo álbum são perfeitas para tocar nas rádios, trazendo mensagens recheadas de clichês, em meio a rimas previsíveis e instrumentais repetitivos. Não há um propósito muito claro nas letras, a agressividade dos vocais não causa quase nenhum impacto e chega a soar excessiva em alguns momentos.

Os ingredientes das duas primeiras canções, “Burn It” e “Animal”, foram colocados na mesma forma: faz um instrumental de rock, enfia um hip-hop no meio e mistura até ficar homogêneo. Depois o álbum dá uma trégua com a ótima “Prey For Me/3”, que acelera um pouco as coisas e sai da mesmice das anteriores. Definitivamente uma das melhores do disco.


One Of Us” é uma verdadeira porrada, talvez até soe um pouco agressiva demais num primeiro momento, mas surpreende com o peso da base, traz uma ótima letra e alterna bem entre os vocais gritados e melódicos, além de mesclar muito bem o rap e o rock. “Inglewood/3” se divide em duas partes, com a primeira mais melódica e focada no hip-hop, e a segunda mais pesada, dando lugar à distorção do rock. Os sete minutos da faixa são torturantes, sendo que os primeiros quatro são entediantes e a agressividade dos últimos três não convence.

Temos finalmente um refresco com a maravilhosa “The Innocent”, de longe a melhor faixa do álbum. O instrumental é muito bem balanceado e os vocais ficam na mente. A letra é uma das mais criativas também, não fica devendo. Só faltou um pouquinho mais de ênfase nas guitarras, mas sabemos que não é o foco do disco, então relevamos.


Se prepare, pois, mais sete minutos desagradáveis te aguardam em “Out Of Control/3”. O instrumental tenta encaixar uma base eletrônica junto com a bateria convencional e tudo acaba virando uma bagunça sem tamanho. Os vocais e a letra são mais do mesmo, nada especial. A surpresa vem mesmo em “Am I Here?”, uma canção bem calma e suave, com uma base linda de violão e teclados. Apesar de curta, a faixa se destaca pela atmosfera emocionante e pelos vocais melódicos, bem diferentes do restante do álbum.

Depois de muitos altos e baixos, chegamos ao fim e, pra encerrar, o álbum nos traz a ótima “Coup D’Étalk”, afrontosa que só ela e que com certeza vai agradar quem curtiu o primeiro EP da banda, especialmente pela bateria e pelo discursinho no final, que já deixa avisado que a banda não vai parar por aqui. Escolha perfeita para fechar o disco, parabéns aos envolvidos.


No final das contas, Strength In Numb333rs surpreende de formas positivas e negativas, pois a produção melhorou muito em relação ao lançamento anterior, mas a musicalidade decaiu de forma considerável. Com exceção de “Am I Here?” e “The Innocent”, o álbum soa como uma espiral de canções previsíveis, pretensiosas e com pouco ou nenhum brilho. Talvez a vontade de fazer um disco impactante tenha sido maior do que a criatividade pra alcançar tal objetivo. No fim, como um disco do Fever 333 ele é bom, mas como um álbum solto, é apenas mais um no fundo da prateleira.