Maren Morris e a genialidade de “Girl”, seu segundo álbum de estúdio

Maren Morris sempre foi um nome que deveríamos prestar atenção, inclusive já mencionamos todos os seus méritos. Agora, ela lança Girl, seu segundo álbum de estúdio e primeiro passo após o estouro com o hit “The Middle”, em que colaborou com Zedd e Grey. Neste trabalho, a cantora prova mais uma vez sua genialidade artística incomparável.

A canção “Girl” como lead-single já apresentou muito do que teríamos no álbum: a essência country, porém com diversos flertes com outras sonoridades. Bem como feito em seu debute Hero, as canções passeiam por vários universos mantendo-se fiel à personalidade da cantora. Neste álbum, ela refina seu som e imprime uma personalidade mais dominante, forte e presente.


O segmento com “The Feels” já indicia raízes country, mas soaria muito bem como uma canção pop. A melodia cativante e a diversidade de instrumentos traz uma riqueza única à canção, sendo um dos grandes destaques. “All My Favorite People”, colaboração com os Brothers Osborne, é uma lição de country. Mas o que surpreende mesmo são os vocais de Maren - ela está muito mais segura de sua voz e arriscando-se como nunca. É, também, mais uma prova de mais um talento se mostra cada vez mais consolidado.


“A Song For Everything” puxa mais pro lado pop, resultando numa mid-tempo deliciosa. Seguindo, “Common”, por sua vez, parceria com a indicada ao Grammy Brandi Carlile, não esconde a produção do genial Greg Kurstin. Os vocais harmonizam numa forte mensagem, enquanto mergulha num universo crescente, levando à um clímax incrível no refrão. Tudo isso é transformado em riffs refrecantes em “Flavor”, que surge como mais um hino de auto-aceitação, dessa vez na analogia perfeita de que ela “está temperando as coisas do jeito dela”. 


"This is the end of Side One of this record...


Please now turn it over for the second side"



“Make Out With Me” traz uma inovação simples, mas que soa genial. Como no fim de um disco de vinil, em que você precisa trocar o lado, o narrador nos diz a mensagem acima e inicia o que, teoricamente, é o novo lado do álbum. E o romance que parecia discreto nas canções anteriores, toma conta de “Make Out With Me” e do que vem a seguir.

E não poderia ser melhor: “Gold Love” é o início da jogada mais pop do álbum, relembrando o que uma Kelly Clarkson faria inspirada pelo country. O soul chega de uma forma fluída banhado a pura calmaria. Soa como uma bela declaração de amor, com melodia grudenta e sem soar, em momento algum, óbvia. “Great Ones” carrega uma magia impressionante consigo. É possível sentir a essência do encantamento que Maren traz em seu trabalho de forma muito genuína.

O brilho, no entanto, está no que pode ser considerada a melhor canção do álbum: “RSVP”. Focando-se apenas em ser uma canção pop descontraída, torna-se numa viciante canção que flerta até com o R&B. É uma extensão das longas influências de Maren, que perfeitamente se mesclam na sonoridade do álbum como um todo. Apenas muito poderosa. 


“To Hell & Back” tem uma melodia cativante e se mostra muito pessoal, com uma letra um tanto enigmática. A sonoridade country retorna aos poucos, mas os vocais se amaciam em tons de soul. “The Bones”, última do trio de produções de Greg Kurstin para esse álbum é um ponto alto. É uma canção positiva, com uma bela mensagem e uma produção impecável.

“Good Woman” é uma canção discretamente feminista. Sem deixar claro o gênero de seu amante, Maren declara que esta pessoa tem o amor de uma boa mulher. É a valorização do sexo feminino, mensagem principal deste álbum. Por fim, “Shade” é a grande declaração de amor que fecha o álbum - com seus característicos vocais marcantes, a bela canção invoca ritmos de soul que parecem evoluções de suas expressões artísticas no álbum anterior.

Com Girl, portanto, Maren soube balancear perfeitamente sua sonoridade, mantendo-se fiel às suas raízes country e incorporando nuances pop e soul, além de arriscar-se mais em faixas como “Common” e “RSVP”, ambos pontos altos do álbum. Maren é um nome de grandeza quando falamos de música country, e sem dúvidas esse álbum elevará seu nome ainda mais. Precisamos de novas figuras femininas fortes no country para renovar a cena, e esse papel Maren Morris cumpre muito bem, pela mesma qualidade que Kacey Musgraves chamou atenção com seu álbum Golden Hour no Grammy desse ano. Que venha muito sucesso, Maren!