Sigrid explora a dualidade emocional humana em seu álbum de estreia "Sucker Punch"


A promessa de revelação do pop deste ano, Sigrid pode ter até lançado vários hinos no ano passado, mas ela nasceu oficialmente na indústria da música na última sexta-feira (08/03), quando lançou o seu tão aguardado debut album Sucker. Com o estilo anos 80 carregado em sintetizadores, guitarra e piano, ela fala sobre o amor de uma forma descontraída, porém muito verdadeira.

Para quem não conhece, a cantora não é do tipo sensual, dramática ou muito dentro dos padrões. Fato que já podíamos imaginar após o nome desconstruído de seu primeiro EP. Don’t Kill My Vibe, compilação de seus primeiros trabalhos, nos apresentava melodias agitadas, com muita autoafirmação, identidade e explosões. Percebemos também que ele foi apenas uma prévia do que estava por vir. Em Sucker Punch ela inova com o cenário colorido, tal como um desenho animado, justamente para agitar o público. A positividade da norueguesa, algo tão difícil de se encontrar hoje em dia, é capaz de contagiar qualquer um.

A narrativa do disco gira em torno de uma confusão de emoções. Há horas em que Sigrid se sente feliz, horas de tristeza e até de confusão. Sigrid é o espelho do jovem no tempo que vivemos hoje. As composições, não muito retilíneas apresentam explosões de batidas. Mesmo assim, quando vamos analisar o álbum por inteiro, a maioria das faixas são parecidas. Têm as mesmas características já citadas (muitos sintetizadores, guitarra e piano), com uma mudança aqui ou ali, mas sempre mantendo a coesão.  

Assim como já vimos em hinários como Melodrama de Lorde, a temática de início é um relacionamento inesperado. Por isso, percebemos tantos picos, agitação e indecisão refletidos na melodia. Enquanto em “Sucker Punch” seus vocais cantam “I'm freaking out 'cause I'm scared this might end bad”, em “Mine Right Now” ela pensa “it's alright if we don't end up together, cause you’re mine right now”. Até chegar ao grande momento de “Basic”, que em clima romântico, ela admite que não consegue controlar o sentimento de querer viver todos os clichês com a pessoa amada.


Nessa fase, mesmo quando os versos são sobre sentimentos ruins ou confusos, a melodia se mostra bem animada para compensar, como acontece em “Don’t Feel Like Crying”. Agora, vemos que o relacionamento não está indo bem, mas a melodia é positiva. Segundo Sigrid para a MTV, por ser o seu modo único de fazer as pessoas dançarem e se distraírem em meio a um momento crítico.

O álbum pode ser divido em duas partes e “Level Up” simboliza o grande divisor de águas. A partir daqui as letras param de falar sobre o outro e passam a ser mais pessoais. O ritmo, por sua vez, não fica fora das mudanças. A atmosfera começa a ser tocada por suavidade e calmaria. Em “Sight of You” entram até mesmo violinos, o que introduz uma maior dramaticidade. A temática da canção gira em torno da cantora embarcando na vida de turnês e no mundo da música, assim como a faixa “Business Dinners”. As letras mostram a sua mais profunda fragilidade e medo. Mesmo assim, a esperança não morre por aqui. O clima ainda soa como a trilha sonora de um filme de final feliz. 

Ao prosseguir, um de seus primeiros singles nos surpreende quando nos insere em um assunto ainda não explorado. “Don’t Kill My Vibe” é um verdadeiro hino feminista que denuncia todo o mansplaining que sofreu no início da gravação de seu primeiro EP. “You speak to me like I’m a child … I can’t shake it off and you feel threatened by me”.


No final tudo se desacelera. Em “Never Mine” ela sente saudade da proximidade com a sua vida pessoal, já que agora tudo gira em torno da música. Enquanto “Dynamite” segue a mesma ideia, mas os únicos sons ouvidos passam a ser o do piano e de seus vocais, muito diferente do restante. Um final genuíno e instrospectivo. Segundo ela, em entrevista a Billboard, sua música explora a dualidade emociona para mostrar como ninguém consegue ser uma coisa só. “Todos temos diferentes emoções e estados de humor”. Ela pode muito bem ser positiva, mas todos podem mudar, construir coisas novas nunca antes exploradas. Ter os seus momentos de fraqueza ou calmaria. Isso tudo sem perder a própria essência. É assim, de forma honesta, espontânea e reconfortante que Sigrid começa um grande legado promissor no mercado da música.