P!nk explora a mente humana em seu profundo novo álbum

O oitavo álbum da nossa querida e amada grande estrela do pop é um verdadeiro retrato de sinceridade sobre tudo que se passa na cabeça de P!nk. Compartilhar seus medos, inseguranças e dores foi o que ela mais fez nesse novo trabalho, mas de um jeito excêntrico e descontraído. A gente te dá aqui as nossas conclusões sobre Hurts 2B Human.

Diferente do que se espera ao ler o nome do álbum, Hurts 2B Human não é um trabalho melancólico ou depressivo. Ela expõe sim a sua sinceridade e sentimentos claros, mas de uma maneira muito descontraída que trafega pelo álbum misturando diferentes estilos em todas as músicas. Podemos, inclusive, dividir o álbum em algumas partes. 

P!nk beirando os seus 40 anos, carregando uma bagagem de 20 anos de carreira, sabe exatamente aonde quer chegar. Não peca em sua capacidade poeticamente lírica e honesta desde o primeiro álbum, mas reconhece que não pode se manter no mesmo ambiente que a levou ao estrelato 20 anos atrás. Vendo isso, ela procura explorar novos lados de um jeito que mostra sua total flexibilidade em estilos, que vão do funk até o folk ou pop rock (o seu "clássico").  A nova cara dela é tão jovem quanto em seus 20 anos, mas com aquela experiência carregada e muito mais madura do que antes. O disco grita a evolução aclamada de uma das maiores artistas que temos hoje na música.

Além de ser uma maravilhosa obra poética de P!nk, Hurts 2B Human ainda inclui grandes nomes da música ao lado dela - uns que até nos surpreendeu! Isso já acontece desde a primeira música, "Hustle", que é uma parceria co-escrita com ninguém menos que Dan Reynolds (Imagine Dragons). Por aí a gente pensa os rumos inspiradores que o álbum vai tomar em seguida. Junto a uns vocais adicionais de Dan, a cantora mostra sua força diante de tudo e leva referências até mesmo para uma música de significado parecido de Imagine Dragons quando cita a frase "I live my life like a bullet in a gun". Essa, sem dúvidas, foi uma parceria de arrepiar!


Na sequência temos "(Hey Why) Miss You Sometime", a faixa que representa muito a transição de gêneros do álbum. Com o estilo único da P!nk, essa canção transita do acústico a algo mais dançante como um pop-funk. Nessa letra ela esclarece algumas confusões e paranoias, mas de um jeito super descontraído como só ela consegue fazer.

Para mostrar bem essa mistura musical rica em diversidade, "Can We Pretend" é um outro ponto alto do álbum. As batidas eletrônicas representam bem o estilo dance da música. Uma parceria de Cash Cash, co-escrita  e produzida com outro grande músico - Ryan Tedder (One Republic). A canção é uma bela crítica que fala sobre ela fingir que vive em um mundo mais legal, respeitoso e harmônico. Minha parte favorita da crítica é quando ela manda uma mensagem um tanto quanto direta, "can we pretend that we both like the president?". Por aqui nos identificamos, e aí?

Juntando mais diferenças, ela traz um pop inovador como em "Happy", co-escrita com Sasha Sloan (que já ajudou Camila Cabello e Charli XCX) e que é uma grande aposta para o futuro do pop. Essa música é um questionamento sobre a insegurança de P!nk em sentir tudo que ela sente. "We Could Have It All" também traz outra grande parceria - Beck! E transita do novo pop alternativo criado e um pop rock que já conhecemos, que é executado aqui de forma épica.

"Walk Me Home", o carro-chefe do álbum, traz um veterano de composição com ela Nate Ruess (ex-vocalista de Fun). Uma música que explicita bem o fato de P!nk já ter sido mais otimista com o mundo e acreditado melhor na humanidade. A canção representa bem o lado violento que o mundo está tomando e rebate muitas críticas e negatividades que a cantora tem recebido em suas redes sociais. É um resgate genuíno às coisas mais simples.


De alguns destaques no álbum, é impossível não mencionar "90 Days", um feat. com Wrabel - que inclusive, deu um grande impulso pelo contraste vocal na música que dá vida a uma parte mais melancólica do álbum e um estilo alternativo que a gente ama. "My Attic" que carrega o acústico sentimental, foi escrita pela Julia Michaels! Essa música metaforiza uma mente bagunçada e às vezes ignorada. Belíssima composição.

Em grade destaque, temos então "Hurts 2B Human", a parceria com Khalid que deu mais do que certo! A produção é de tirar o fôlego e a letra mostra que ainda há um pouco de esperança sobre o olhar da cantora para o mundo. Nessa mesma linha inspiradora, também temos a impressionante "Courage", que já parece uma música familiar, isso porque foi co-escrita com ninguém menos que Sia! Os vocais são totalmente impecáveis, e mostra que dentro disso tudo existe ainda uma P!nk vulnerável. Realmente parece ter sido retirada de 1000 Forms Of Fear.

A parceria com Chris Stapleton traz uma balada romântica e meio country, numa letra pura sobre amor que leva o álbum a uma atmosfera intimista e acolhedora. "Love Me Anyway" é o relato fofo de amor que nos deixa esperançosos para esse mundo cruel.


"Circle Game" é uma melódica canção que exalta o vocal dela e ainda segue na mesma linha de esperança e um futuro melhor quando o mundo der a volta. Por fim, o álbum termina acústico numa pegada folk bem tocante com "The Last Song Of Your Life", que é cantada com todo sentimento em agudos suaves da cantora.

Hurts 2B Human é um trabalho maduro, honesto e que assume uma nova cara à P!nk. Talvez um álbum com novos impactos, diferentes de seus primeiros, mas que certamente também alcançarão ótimas colocações nas paradas. Um trabalho feito pela alma da cantora que exprime descontraidamente as dores e acertos de ser humano. A mensagem do álbum é bem clara, já que P!nk simplesmente quer mostrar que ela é tão humana quanto nós!