Itaipava De Som a Sol

Bastille lança disco de influência pop anos 90 e conta a historia de uma noite de curtição


Em meio a enxurrada de lançamentos da última semana (14/06), tivemos o novo álbum de Bastille. Doom Days segue a linha pop rock da banda e constrói atmosfera romântica, mesmo em cenário apocalíptico. Fala sobre o escapismo, os amigos e o amor em uma noite de curtição.

Como primeira faixa temos “Quarter Past Midnight”, um dos singles. Ela soa como perfeita abertura para o conceito e sonoridade do álbum. É bem agitada, chega até a ser frenética. Mistura sons de guitarra e bateria com influência pop e eletrônica. É a típica música dançante que as pessoas usam para fugir da realidade. Fato ilustrado muito bem em seu videoclipe. A temática pode ser resumida em uma noite de curtição. Apesar disso, o álbum ainda trata de relações amorosas. 


“Bad Decisions” segue a melodia da última faixa e reforça o relacionamento problemático que é tratado nela, mas de forma sutil e mascarada pelas distrações da noite. Já em “The Waves” presenciamos o ritmo desacelerar um pouco. Porém, com influência eletrônica ainda é muito forte. O seu som acompanha o conceito e tem partes que parecem abafadas pela água. Dan Smith parece recuperar parte da consciência quando canta “what would your mother say if she could see what we're doing now?”

Em “Divide” vemos uma mudança maior. Ela é a mais melancólica e romântica até agora. No início, quase acústica e carregada em piano. O som orquestral tão característico da banda finalmente aparece, agregando toda a dramaticidade e sentimentalismo que amamos. O narrador agora está apaixonado e não sabe o que pensar, o que fica evidente na música seguinte depois, na atmosfera frenética influenciada pelos anos 90 de “Million Pieces”. Na faixa, ele expressa não querer pensar em nada sério no momento.

Enquanto em Wild World o vocalista se preocupa e carregar as dores do mundo, em Doom Days ele só quer escapar da realidade. A faixa de mesmo nome resume muito bem a ideia. “É como se todo o mundo estivesse desmoronando, mas você está tendo uma festa em casa e fecha as cortinas. E está somente você e as pessoas com quem você é próximo para simplesmente aproveitar a noite e os altos e baixos daquela festa", como disse Kyle Simmons, o tecladista e baixista da banda.

É notável que os sintetizadores são mais utilizados quando a atmosfera é mais pesada e melancólica, algo que Bastille faz tão bem, melhor do que qualquer um no cenário atual. A partir de “Doom Days”, tudo se torna mais obscuro e lembra os outros trabalhos da banda, isso porque a noite está chegando ao fim e o personagem logo mais vai precisar encarar a realidade. Também temos espaço para ele cair de cabeça no relacionamento, como manifestado em “Nocturnal Criatures”.


Chegamos quase ao nascer do sol em “4AM”. Outra no estilo acústico, mas os protagonistas da vez são os sons de guitarra e os versos sobre confiança. Aparece também o violino e os trompetes que estavam faltando, geralmente utilizados nos momentos mais tocantes dos álbuns passados.“I don't care if we're stuck in the familiar”. Aqui, Dan Smith não está pronto para deixar o conforto de dentro das cortinas que ele mesmo fechou para encarar o mundo real. A música é, sem dúvidas, um grande marco para a obra.

Os sons de coral e de bateria abafados característicos da banda perduram por todo o disco, mesmo que cada faixa tenha as suas particularidades. “Another Place” é uma das únicas que apresentam um clima mais sensual, até com batidas vindas do R&B. Depois, “Those Nights” desacelera a melodia novamente e o que reina é a insegurança e a confusão. Com uma ótima performance no videoclipe o vocalista parece não sabe o que vai ser daqui para frente com a pessoa que encontrou na tão falada festa.


O que aparece para finalizar a compilação foi a atmosfera animada de “Joy”. Mesmo com todos os altos e baixos, as lembranças boas da noite passada são as que ficam e te dão a sensação de gratidão. Gratidão pelo o que viveu, gratidão pelo o que ainda vai viver e até pelo o que pode mudar.

O álbum é bem animado, carregado em influencia eletrônica e pop. Ele é capaz de fazer todos dançarem com os característicos sons de bateria abafados e o coral. A sua narrativa se passa em uma  só noite, da turbulenta “meia noite e quinze” até a gratidão que o personagem sente ao amanhecer. Em um disco atual e despretensioso, o Bastille conseguiu transmitir muito bem cada uma das emoções, que foram diversas nessa noite de curtição.