Em "Parasite Eve", Bring Me The Horizon fala sobre pandemia e marca retorno politicamente consciente!

No dia 25 de junho de 2020, plena pandemia de COVID-19, a banda britânica Bring Me The Horizon mostrou para o mundo "Parasite Eve", o primeiro ato do Post Human, um projeto que pretende ter 4 EPs, todos com o mesmo nome, cada um com sua estética e sonoridade.

Em "Parasite Eve" temos um Bring Me The Horizon que entende perfeitamente a necessidade de voltar para casa, mas ninguém disse que eles não podiam trazer bagagem. Eles trouxeram; e muita. A banda entregou uma boa combinação do som eletrônico no qual vinham trabalhando em seus trabalhos mais recentes (no “AMO” e no álbum experimental “Music to listen to…”) e, para alegria dos fãs, muito da sonoridade de um BMTH mais jovem ou, como eu gostei de apelidar, mais "raiz".

A canção começa com um ar completamente etéreo, com um coral feminino cantando em búlgaro e nessa altura eu juro que estava pensando “e lá vamos nós para mais uma viagem completamente aleatória e conceitual”. Ledo engano. Logo em seguida, somos apresentados a uma melodia eletrônica que lembra muito a música (amada por muitos, odiada por muitos também) "Nihilist Blues" e um Oliver Sykes cantando versos pouco melódicos.


Conforme a música cresce, o ouvinte percebe o single como uma saudação ao passado, às eras que tinham um som menos comercial e mais agressivo, com guitarras mais pesadas e vocais em screamo. É perceptível que se aproximaram muito mais de trabalhos como os álbuns That’s The Spirit e o Sempiternal, coisa que os fãs pediam a algum tempo.

Agora, se você é aquele “fã” chato que chegou até aqui e está pensando “Essa garota tá falando um monte de coisa nada a ver, o som ainda está extremamente comercial, pipipi popopo”... pois bem. Pode ser que esteja. Sabe porque? Porque o Bring Me The Horizon não é mais uma banda abrindo shows para bandas 4 vezes maiores que eles e ensaiando em pequenos estúdios de Sheffield, South Yorkshire, Inglaterra.

O que eu sinto aqui é que eles assumem esse papel de artistas que entendem o peso que tem e o que eles podem representar. Agora eles querem vestir a camisa de um chamado atual. Eles querem de fato furar a bolha e chegar a mais gente, porque eles tem algo urgente para comunicar. E olha que, diga-se de passagem, ainda estou sentindo eles chegaram de mansinho com Parasite Eve na tarefa de atingir esse objetivo, mas já espero o choro de uns “admiradores” futuramente, porque com certeza a identidade sonora dos próximos trabalhos surpreenderá ainda mais.

Voltando para o que interessa: A mensagem urgente.


Em uma primeira ouvida, você percebe as ligações que a letra tem com o momento atual no qual (infelizmente) o mundo inteiro se encontra. Sim, eu estou falando dele mesmo: o coronavírus. Os integrantes da banda dizem que essa música, incrivelmente, existe desde o ano de 2019, chegando a ser cômica as coincidências com a letra que, inicialmente, fazia referência apenas a um jogo de terror de mesmo nome lançado pela Square no ano de 1998.

A canção foi engavetada, mas, em plena quarentena, Oliver entendeu que o mundo precisava ouvir “Parasite Eve”. Era uma forma perfeita de entregar um material novo, alimentar seus fãs, continuar fazendo o que ama e encarar os fatos cara a cara, como ele mesmo disse. Durante muito tempo, Bring Me The Horizon foi uma banda que procurava agir como uma saída de emergência e válvula de escape para os problemas do cotidiano e do mundo; para os fãs e para os próprios integrantes. Fico feliz em poder dizer que aqui, neste single, eles entenderam que não dá para ignorar o momento presente. O que dá para fazer é aprender a viver com ele e, porque não, motivar ações, ideias e, até mesmo, questionamentos.

Não precisa ser nenhum gênio para fazer a ligação entre a música e o descaso de vários líderes mundiais para com a população durante a pandemia, mas, pessoalmente, a brisa que me bateu foi ainda mais profunda. Quando é dito na letra “Esse é o momento que você vinha esperando. Não chame isso de aviso, isso é uma guerra” eu não tenho como não relacionar isso ao momento político que estamos vivendo para além da pandemia.

Em apenas semanas, no mundo inteiro, grande parte da população decidiu dizer “já chega” para um dos principais aspectos de uma sociedade racista: a brutalidade policial para com a população negra. Fomos capazes de nos organizar coletivamente em várias partes do mundo, espalhando mensagens, ocupando as ruas e nos fazendo ser notados em plena pandemia, como… um vírus? Já entendeu minha, brisa certo?

Para mim, essa canção é duplamente política. Fala sobre se posicionar contra um sistema que quer te controlar, punir e reprimir, mas fazer isso de forma consciente, organizada e letal. Letal o suficiente para mudar tudo. Fazer as coisas começarem de novo com um novo ar. E é aí que eu pergunto: Quando esquecermos essa infecção, será que lembraremos o que aprendemos? Eu espero que sim, mas o fato é que, como a música mesmo diz, “você pode fechar suas janelas, trancar suas portas… Mas você não pode mais continuar lavando as mãos dessa merda”. E isso vale para absolutamente tudo que é incomodo na sociedade. Tudo que fere a existência de alguém. A roupa suja precisa ser lavada hoje, com urgência.

Bom, essas foram as minhas considerações, mas eu ia adorar saber sobre as suas. O que estava esperando do single? A banda entregou o que você esperava? Você acompanha minha brisa? Me conta tudinho nos comentários e, no mais, até a próxima!

ESCRITO POR: Isabelle Natasha

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