Encante-se com a pluralidade do primeiro disco-solo de Liniker, “Indigo Borboleta Anil”

Indigo Borboleta Anil” é o nome do primeiro disco-solo da cantora e compositora Liniker. Em 11 faixas, a cantora abordou suas vivências do agora e buscou se conectar com sua ancestralidade que resultou em um disco sincero, completo e feito para dançar.

O álbum se inicia com “Clau”, uma canção de amor para Claudete, a cadela que Liniker adotou. Apenas Liniker para fazer de um “au” ter uma linda sonoridade que nos remete a seus trabalhos anteriores. “Logo no começo, apresento algo dançante e que dança do jeito que eu gosto de dançar”, conta a cantora e é assim que começa a jornada por “Indigo Borboleta Anil”.

Antes de Tudo” é a próxima faixa, com participação de Letieres Leite e da Orkestra Rumpilezz, a canção foi a primeira composição da vida de Liniker, aos 16 anos. Em inglês, “Lili” traz referências que a artista escutou ao longo da vida, como Diana Ross, Barry White e Stevie Wonder. “Psiu” foi o primeiro single do álbum, lançado em outubro de 2020 e tem muito de Liniker & os Caramelows nele.


Representando a intuição, “Lua de Fé” surgiu de um abraço entre Liniker e a cantora Luedji Luna. Nessa troca, Liniker sentiu que a amiga estava grávida. “Eu senti a energia da criança e eu não sabia da gravidez. Acho bonito poder cantar sobre o nascimento do filho de uma contemporânea e de uma pessoa pela qual eu tenho uma verdadeira paixão artística”, conta.

Lalagente” inicia-se com um texto sobre um sonho que a cantora teve. A canção fala sobre a criança de Liniker e sobre Miguel Otávio Santana, a criança de 5 anos que caiu do nono andar de um prédio de luxo, em Recife, enquanto estava aos cuidados da patroa de sua mãe, Mirtes Renata de Souza. “Eu quis falar das nossas crianças, além dessas mães que estão cansadas e que não aguentam mais chorar. É uma maneira de devolver essa música para minha mãe, para Mirtes e para o Miguel", comenta Liniker. Milton Nascimento engrandece a canção com sua voz. “Ter o Milton Nascimento ali, foi como olhar para a minha ancestralidade em tempo real. Frequentemente, o sonho não é permitido para as pessoas pretas. Milton representa essa possibilidade. Eu olho para a minha criança, que é o meu passado, vejo o meu presente e olho para o futuro e, nesse fluxo, Milton é a minha seta”, afirma a cantora.

O segundo single do álbum, “Baby 95” (composta por Liniker, Mahmudi, Tássia Reis e Tulipa Ruiz) traz elementos do R&B e do pagode dos anos 90. Essa mistura de ritmos faz com que a canção seja a maior do disco e mostra que a cantora está percorrendo um ótimo caminho. “Presente” já era uma faixa conhecida, foi apresentada no programa COLORS. Para o disco, foi repaginada com novos elementos como sopros, percussão e MPC (Music Production Center), tocada por Curumin.


O samba rock de “Diz Quanto Custa” é interpretado por Liniker e Tássia Reis (a composição é das intérpretes ao lado de Mahmundi e Vitor Hugo). “O significado dessa música é muito especial, porque ela me diz que consegui chegar no âmago das minhas referências. É um samba rock para minha mãe dançar”, conta Liniker. A produção foi de Júlio Fejuca e Gustavo Ruiz, no coros da canção temos Tulipa Ruiz e DJ Nyack.

Quero que a alegria seja uma condição de todas nós. Quando eu me coloco como vitoriosa, é uma forma de estar politicamente ativa também” é assim que Liniker descreve “Vitoriosa”, faixa que encerra o álbum. “Mel” é faixa-bônus e mostra um pouco dos bastidores do estúdio, levando o público para dentro do processo de gravação.

O primeiro disco-solo de Liniker tem muito dela, a cantora trouxe suas referências musicais de vida, diferentes elementos, novos ritmos. É um bom disco, como era de se esperar!

Nenhum comentário:

Postar um comentário