O explícito colapso do duo Oh Wonder no novo álbum, "22 Break"

2020 foi um ano que para muitos de nós pareceu inexistente ou foi tão conflituoso e turbulento que nos abalou fortemente. Não foi diferente com Josephine e Anthony, nossos queridos Oh Wonder. O duo passou por um período difícil de quase término, e isso nos trouxe 22 Break, o quarto álbum deles!

É inegável o carisma da dupla com vozes tão compatíveis que dá para sentir que eles fazem música direto da alma. Com sons tão cativantes, eles já entregaram três álbuns desde 2015 e seguem conquistando cada vez mais fãs. Contudo, como todo casal humano, eles também passam por momentos difíceis e turbulentos na relação. Isso se intensificou ainda mais no período pandêmico.

Logo no início de 2020, eles tinham acabado de lançar No One Else Can Wear Your Crown, um álbum pop recheado de boas energias e motivação. A única parte ruim é que não tivemos uma turnê para apreciá-lo ao vivo. O mundo se fechou, eles tiveram cada vez mais tempo um com o outro, vivenciando a vida de duas pessoas normais em casa e lidando com todas as dificuldades. O “tédio” deles trouxe o EP Home Tapes, gravado na quarentena, no quintal da casa deles, lançado ainda em 2020.

O fato é que a pandemia perdura por mais do que deveria e as dificuldades de estar junto com outra pessoa e todas as suas intimidades se intensificam. É complicado lidar e eles sentiram quando tomaram conta de que todas as vezes que eles corriam para o fundo do quintal, no próprio estúdio, era para gravar uma música sobre término. Assim foram construídas as 11 faixas de 22 Break, o mais novo álbum da dupla que, como eles mesmos disseram, talvez esse seja o primeiro álbum da história sobre término pelo qual as duas pessoas que estão terminando compõem juntas!


E mais uma vez eles foram unidos pela música, o que eles sempre amaram fazer. 22 Break passeia por uma relação em colapso e expõe brutalmente todos os sentimentos por trás de um término. Cada verso pode fazer o coração doer, pode ser difícil de escutar em alguns momentos, mas cada palavra é valiosa para sentir a batida do coração, cada ritmo pode te fazer sentar e refletir ou levantar e dançar.

Baby” é a faixa que abre o trabalho e já por ela temos uma voz que explica que talvez não há mais nada para salvar na relação, que tudo foi por água abaixo por falhas e medos. Essa é uma das mais silenciosas faixas que dá para identificar tudo que é dito como uma facada.

Mas nem só de melodias tristes vive o compilado. “Down” e “22 Break” estão aí para provar que a gente pode dançar em cima da tristeza - mesmo que as letras indiquem puro desastre, e que a tristeza como vizinha não traz espaço para gentileza e que há dois corações partidos nessa história. Dançamos no ritmo gostoso pensando que não acabaram, felizmente.


Don’t Let The Neighbourhood Hear” e “Rollercoaster Baby” são os outros singles junto da faixa-título e também são ótimas para dançar, balançando ao som sexy de saxofone. Ao mesmo tempo que são as que mostram os conflitos batendo de frente, uma montanha-russa de emoções. O instrumental não decepciona em nada como todo o álbum, é de ficar impressionado!

Dinner” é uma faixa um tanto quanto interessante, porque num som de uma música bem jazzy como num lounge de um restaurante podemos ouvir uma Josephine put* da vida com o Anthony. A mesma que mais a frente no álbum clama por amor e aproximação em “Love Me Now”.

Com toda certeza a faixa mais brutal e difícil de se ouvir é “Free”, a qual lentamente descreve um sentimento de estar preso, não conseguir ser livre e querer se livrar de tudo. O ritmo não engana também e podemos sentir tudo que eles quiseram nos passar.


Apesar de toda história parecer triste demais, as últimas faixas do álbum contornam tudo trazendo à tona os momentos da vida deles, pelos quais estiveram sempre entrelaçados. Como sempre colocaram um à frente do outro e como juntos sempre souberam derrubar todas as portas. A história volta a ser feliz, porque desde 2014 eles se encontraram, no amor e na música, como diz a inspiradora canção que fecha, "Twenty Fourteen".

Essa com certeza é uma das composições mais sinceras que já ouvi, com instrumentais tão bem colocados e produzidos. Além disso, como um trabalho totalmente sentimental, eles gravaram um curta-metragem que expressa muito artisticamente a visão deles sobre tudo que fizeram - ironicamente gravado na viagem de lua de mel dos pombinhos. Vale a pena assistir e se emocionar, entender os pequenos poemas entre as músicas e seguir apaixonado por Oh Wonder!

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