Katy Perry arrisca em seu prato principal e nos deseja um “Bon Appétit”


Com um álbum novo assando no forno, Katy vem nos alimentando com os petiscos que já dão o sabor de sua nova sonoridade, que embora esteja um pouco azedo para boa parte de seu público, ela ainda mostra conhecer a receita do sucesso: seus clipes.

Se existe um consenso geral no universo pop, é que Katy Perry sabe muito bem como fazer clipes memoráveis e de qualidade para seus singles. Fica impossível não associar seus maiores hits com seus respectivos vídeos, que sempre a colocam como referência da cultura pop e ditam tendências de mercado. É onde a cantora tem a oportunidade de mostrar o melhor lado de sua criatividade pulsante, que está sempre trabalhando a mil por hora, buscando conceitos divertidos, lúdicos, imersivos, e, mais recentemente, de críticas sociais. E muitas vezes – e não só com Katy – o clipe tem o poder de levantar grandemente um single fraco, como é o caso de Bon Appétit.

Dirigido pelo novato Dent de Cuir, o clipe vem com a missão de salvar o segundo single de Perry do abismo dos charts em que se encontra atualmente. Bon Appétit não é uma música fácil de digerir e precisa de muitos plays até sua estrutura criar uma identificação com o ouvinte, e talvez este esteja sendo o maior problema na sonoridade dessa nova era. Como uma artista veterana e de grande importância para o cenário musical, surge uma necessidade de se reinventar a cada novo trabalho, mas também a responsabilidade de atender às necessidades do mercado, que nem sempre batem com sua escolha artística. Tomar riscos pode ser fatal a uma carreira, mas se a cantora sabe dar a volta por cima, tudo funciona no fim. E o mais genial é que, se pararmos para pensar, é exatamente disso que o clipe fala.

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Com uma Katy Perry tão engajada em questões políticas e sociais de uns tempos para cá, não é surpresa que este clipe também contenha uma mensagem bem elaborada e eficaz para quem capta suas referências. Por trás de uma fotografia deslumbrante e uma ambientação bizarro-freak, Katy faz crítica à cruel indústria que tenta nos moldar a suas tendências de moda, estilo e comportamento, impostas para definir um padrão que deve ser alcançado a qualquer custo. Preparada, temperada e cozinhada, a personagem é construída como ícone de beleza à la Kylie Jenner, porém o twist surpreende com a inversão dos papeis e o sistema falhando miseravelmente em sua tentativa de se aproveitar dos indivíduos. Isso também se encaixa em sua fase atual de música, como uma dica: “Agora vai ser do jeito que eu quiser e vai dar certo”.

O saldo final é positivo, ainda que com muitas falhas e obstáculos no caminho. A expectativa em cima de Katy é grande, mas talvez ainda tenhamos que nos acostumar com um estilo bastante novo, ainda que mantenha suas raízes no pop, que pode ou não dar certo. Particularmente, acredito que CTTR tenha mais força que BA, comercialmente e em questão de qualidade, mas como grande admirador de seu trabalho há anos, torço muito por seu sucesso como artista e fico aqui esperando um álbum incrível e muito bem produzido. Pode entrar, KP4!

Ps: A participação dos Migos só serviu pra gente saber quem eles são, além de homofóbicos. Um erro, dona Kátia.
Ps2: O cabelão liso e loiro me lembrou muito a Gaga no clipe de G.U.Y. Kudos for you, Gaga.