Shawn Mendes amadurece e se renova no recém-lançado álbum auto-intitulado

Shawn Mendes lançou na última sexta-feira (25/05) seu terceiro álbum de estúdio, auto-intitulado. Após o hit "In My Blood", ele nos entrega um trabalho firme, pontualmente sonorizado e com uma grande evolução quando comparamos com seus últimos trabalhos.

Handwritten e Illuminate, seus dois primeiros trabalhos, foram marcados por fortes canções pop - e parece que ele só cresceu, conseguindo seu maior hit com o single "There's Nothing Holdin' Me Back". As canções eram excelentes, mas claramente refletiam a idade pós-adolescência do cantor. Aqui, neste novo trabalho, o amadurecimento é notável e as temáticas encorpam mais, trazendo o que pode soar como seu melhor trabalho até agora.

Iniciamos com o forte hit single "In My Blood", canção na qual ele transita tranquilamente entre versos sufocados e um grito de liberdade nos refrões. Escrita com base na sua ansiedade, o cantor pede ajuda inúmeras vezes, trazendo uma agonia peculiar para a canção. Seguimos então com "Nervous", que parece ser o próximo single do trabalho. Apesar de muitos apontarem que a canção se assemelha demais a "Bad Liar", da Selena Gomez, essa colocação parece muito fora de lugar. A música não é a mais forte do disco, e pode precisar de algumas ouvidas para simpatizarmos. É diferente, e os versos são mais falados que cantados, mas o refrão se destaca pelos falsetes sobrepostos à sua voz usual.


Seguimos com "Lost In Japan", que é uma excelente e refrescante surpresa na carreira do cantor. Liberada lá no início junto com a primeira do álbum, esta se firma como o grande destaque do álbum. A letra é inusitada, o arranjo é elegante e maduro. Basicamente, é tudo que esperamos de nomes como Justin Timberlake e que falhamos em receber. A baladinha "Where Were You In the Morning?" também é um grande destaque, soando despretensiosa e gostosa de se ouvir.

Temos então "Like To Be You", que pode desapontar um pouco após as expectativas criadas por ser um featuring com a incrível Julia Michaels. Não é ruim, nem é excelente, é apenas mediana e não traz tanto brilho. Mesmo assim, a harmonia criada entre ambas vozes é deliciosa aos ouvidos. Indo para "Fallin' All In You", é incrível que ele tenha transformado uma composição de Ed Sheeran numa boa canção. A sonoridade segue sem muita pretensão, mas os vocais estão no ponto.

Finalmente o som acelera um pouco mais com "Particular Taste", uma divertida canção escrita em parceria com o mestre pop Ryan Tedder. É viciante e te pega de jeito na primeira audição. E então voltamos às baladinhas com "Why", mas aqui você não sente vontade de pular a faixa. Os vocais chamam bastante atenção e a canção acaba se tornando um ponto alto e forte do álbum, trazendo consistência e segurança. Mas logo Ryan Tedder retorna com "Because I Had You", mostrando que a parceria entre os dois funciona e muito bem. A composição é pegajosa e isso é dificilmente conquistado numa canção com um ritmo mais lento.


Entrando em "Queen", não temos um grande destaque aqui. Assim como o dueto com Julia, é boazinha, mas só isso. Seguida por "Youth", dueto com Khalid, que soa da mesma forma que "Change" no álbum do Charlie Puth: uma canção com uma forte e bonita mensagem, mas meio deslocada no trabalho como um todo. "Mutual" lembra muito as composições do seu álbum debute, mas numa versão atualizada e mais madura. Até agora, o ritmo parece estagnar, o que pode causar um pequeno cansaço naqueles que não são fãs em grandes proporções.

Pontuado isso, temos mais uma baladinha em "Perfectly Wrong". O arranjo mudou e se tornou mais lento ainda, mas no caso funcionou bem. Assim que o álbum começa a soar cansativo, uma sonoridade mais crua é essencial. E quem esperava uma última mudança, "When You're Ready" é mais uma baladinha que fecha o álbum de forma satisfatória, mas nada surpreendente.

No fim, o álbum soa um pouco linear e pouco surpreendente - uma vez que as canções mais inovadoras do álbum já haviam sido liberadas. No entanto, como um todo é consistente e firme, sendo mais forte inteiramente do que em pedaços. É difícil imaginar novos singles explodindo como seus hits antigos, já que nenhuma tem tanto potencial comercial assim, mas quem sabe não temos uma nova "There's Nothing Holdin' Me Back" adicionada aos 45 do segundo tempo? Vai ser divertido assistir o direcionamento que teremos com o álbum daqui em diante.