Snow Patrol retorna a melancolia com o seu novo álbum "Wildness"

A banda de irlandeses Snow Patrol, famosa pelos hits “Chasing Cars” e “Open Your Eyes”, marcou o seu retorno depois de sete anos de pausa nessa sexta-feira (25/5). Eles deixam pop rock de lado e voltam a utilizar o rock melancólico como protagonista, desta vez de maneira mais madura.

As músicas de Wildness não se mostram completamente diferentes do que a banda já fazia, porém de fato a banda explora uma atmosfera mais introspectiva e menos grandiosa ao compararmos com os trabalhos do passado. O som carregado em violão e bateria constroem uma melodia tímida e lenta, com muito sentimento. Mesmo com letras um pouco repetitivas, as músicas valem a pena, principalmente pelas bridges tão impactantes. 

A temática gira em torno de um olhar distante sobre a vida na Terra. A própria capa carrega a foto de uma pessoa com roupa de astronauta. Em "Life On Earth", a faixa de introdução, o vocalista explica exatamente questões sobre a vida humana. Tudo gira em torno de como as relações e as primeiras vezes são difíceis e como sentimos a necessidade de visitar outro planeta, sempre guiados pelo sentimento de que isso resolveria todos os problemas.


Em contraponto, a segunda faixa é sobre não desistir. "Don't Give In" é mais próxima do rock tradicional. Ela apresenta uma melodia positiva e esperançosa, servindo como um prato cheio de autoajuda não só para nós, mas para o próprio cantor, que já alegou em entrevista Rádio BBC 2 ter sofrido depressão e bloqueios criativos. O que acabou atrasando o lançamento do novo álbum.

Nessa fase do álbum o personagem já não tem mais medo ou acredita que tudo é muito difícil. Com uma produção impecável, “A Dark Switch” permanece com a ideia de não desistir. Acompanhada de violinos, guitarra, sons robóticos entre outros diversos instrumentos, a faixa realmente constrói uma ambientação sonora animada, moderna e até experimental.

Logo depois, em "What If This Is All The Love You Ever Get?", o ritmo começa a diminuir e dá espaço ao piano. Passando a mensagem de que é importante tratar as relações e acontecimentos como únicos, não simplesmente compará-los com outros que já teve. Em toda a narrativa o autor parece dar conselhos ou explicar comportamentos humanos para alguém de fora. O álbum é uma grande lição sobre a vida para todos nós.

As músicas quase sempre têm citações de primeiras vezes e coisas únicas, principalmente em “Life On Earth” e “A Youth Written In Fire”. De fato, o álbum nos ensina a valorizar e viver como se não houvesse amanhã. 


Ainda com a velocidade desacelerada “Soon” faz o personagem sentir saudade da segurança que antes tinha. Fala sobre a relação entre pai e filho e o modo que a vida passa, nos fazendo nos esquecer de certos detalhes. Já em “Wild Horses”, a velocidade volta a aumentar e a ideia de esperança retorna. Se constrói um tipo de conversa com o ouvinte, para o encorajar a reunir as suas forças. Não se deixar levar por um simples deslize.

A finalização do disco não traz nada mais do que calmaria. Aqui os sons futurísticos também aparecem em maior escala, mas o clima é triste e de despedida. "Life And Death" fala sobre um relacionamento em que o personagem não quer se distanciar. Antes, o desejo era sair da Terra para resolver os seus problemas. Hoje, ele reconhece que a vida é feita de altos e baixos, portanto só quer permanecer, abraçando a dualidade da vida, com todos os seus contrastes entre dias bons e ruins. O encerramento é divino e inspirador!