A singularidade de Sabrina Carpenter e seu recém-lançado "Singular Act I"

Sabrina Carpenter é uma das artistas mais completas, criativas e carismáticas que temos atualmente na indústria. O seu novo álbum, Singular Act I é mais uma grande prova disso.

De fato, a cantora nunca atingiu um sucesso estrondoso - mas fez algum barulho com “Thumbs”, single de seu álbum EVOLution. Mesmo assim, possui um admirável respeito da crítica e tem evoluído sua sonoridade para algo quase que pop perfection, utilizando com sabedoria cada elemento que torna uma simples canção pop em algo irresistível.

E depois de passos cada vez mais largos quanto ao amadurecimento, tivemos “Why” e “Alien” como preparativos do que viria a ser sua era musical mais importante. Decidindo partir o álbum em dois - provavelmente, numa péssima estratégia da Hollywood Records, ela acaba não decepcionando com o conjunto de 8 músicas lapidadas à perfeição. "Singular" define perfeitamente este projeto: apesar de beber de incontáveis fontes pop, ela consegue transformar cada canção em sua, imprimindo uma identidade, de fato, singular.

“Almost Love” abre os trabalhos com uma sonoridade forte, marcante, mais urban, porém mantendo-se essencialmente pop. A canção é envolvente e abre o disco de forma excelente, com muita atitude. Em seguida, “Paris” eleva o nível ainda mais, com uma abordagem completamente inesperada. É uma boa surpresa, que pincela vocais sensuais com um monólogo em francês que é, de fato, a cereja do bolo. Esta canção é, facilmente, a melhor do álbum, e não tenha dúvidas que seria muito premiada caso fosse de alguma diva pop mainstream. “Hold Tight” não soa muito interessante à princípio, apesar de ser um tanto diferente das demais. Não é ruim, mas não adiciona nada.


Vamos então pra “Sue Me”, um grande hino que basicamente diz “tá incomodado? me processa!”. É agradável vê-la nessa persona confiante que dá as cartas, condizente com a realidade da cantora atualmente. A estrutura pop traz uma melodia grudenta, com vocais que surpreendem até mesmo os fãs mais fiéis. É tudo que ela sempre fez, só que melhorado, aprimorado. A canção termina com o som de uma agulha de vinil sendo removida, e então re-inserida em “prfct”, como se anunciasse o “lado B” da gravação. Sutilezas que fazem a diferença e tornam a obra muito mais completa. E nessa canção, ela vem com um R&B sexy, puro e elegante. Os vocais te levam numa viagem pelo universo da música, seja nos graves profundos ou nos agudos discretamente sussurrados - sempre com uma sensualidade surpreendente.

Largando todos os elementos que remetem ao passado, “Bad Time” muda a experiência inserindo vocais robóticos, enquanto Sabrina brinca com sua voz em diversos tons, como num grande dueto consigo mesma. O melhor do auto-tune em verdadeiros artistas é que sabemos que eles não precisam, então quando usam é com intenção de trazer algo inovador e diferente. E funciona, pois esta canção acaba se tornando um respiro na intensidade das músicas anteriores, soando muito como uma feel-good song.


“Mona Lisa” não acelera o ritmo e acerta em cheio - a temática da canção é suavemente cômica, na qual Sabrina se compara à Mona Lisa e pede para que não a deixe esperando como fizeram com a icônica obra de Da Vinci. Ouví-la cantar tão seriamente palavras tão bobas acaba deixando o clima fluído, descontraído e ainda assim envolvente.

É com “Diamonds Are Forever” que ela encerra esta primeira parte do álbum, numa canção pop frenética que parece muito com algo que Rihanna gravaria - aliás, algumas inspirações em “Love On the Brain” são bem claras, mas numa ambientação bem mais pop e teatral, com referências bem pontuais à Marilyn Monroe.

Sabrina começou nos levando ao pop adolescente de seu debute, mas foi no pop adulto de EVOLution que ela conquistou a maioria de seus fãs atualmente. Não restam dúvidas que Singular trará uma nova leva de fãs, seduzidos pelo magnetismo irresistível da doce voz de Carpenter, que não decepciona ao fazer um curto álbum (quase) perfeito.