Conheça a crítica social e a profunda verdade por trás de "Nothing Breaks Like a Heart", parceria de Mark Ronson e Miley Cyrus



Na última quinta-feira (29/11), pudemos presenciar o grande comeback de Miley Cyrus. A cantora aparece na nova faixa de autoria de Mark Ronson. A sua sonoridade se baseia em influências country com toques eletrônicos, enquanto a sua letra é pura crítica social.

A todo momento em “Nothing Breaks Like a Heart”, ouvimos o violão marcado ao fundo, o que evidencia o country raiz da nossa rainha Cyrus. É incrível como o produtor consegue se adaptar ao estilo dos artistas com quem trabalha, independente da vertente musical, assim como já fez em seus trabalhos anteriores. 

O mesmo se repete aqui, porém com um adicional pop e eletrônico que é muito bem vindo, ainda mais com o aspecto dramático e impactante causado pelas batidas e pela sequência de violinos. A atmosfera lembra o ambiente de faroeste, o que combina com as imagens do clipe em que são presentes perseguições e armas.

Essa é apenas uma das referências presentes no videoclipe lançado no mesmo dia. Logo em seu início, já vemos uma grande das várias críticas sociais presentes na produção. A primeira cena é a de uma criança brincando com balas e ao caminhar para o meio dele, ela e mais várias outras pequenas personagens pegam em armas e começam a atirar. Uma clara alusão à política de armamento dos Estados Unidos e aos atentados que vem sempre ocorrendo nas escolas.

A sua narrativa é inteira baseada na fuga de Miley Cyrus e a sua perseguição policial. As cenas lembram muito o caso televisionado em 1994, em que o jogador de futebol americano O. J Simpson foge após ter sido acusado do homicídio de sua ex-mulher e um amigo dela. Assim como no ocorrido, as pessoas ao redor se mostram fãs, com cartazes de apoio a Miley. Até os policiais carregam fotos dela estampadas no helicóptero e um chaveiro da era Bangerz pendurado no espelho de um dos veículos.

Ao decorrer da produção, a cantora que está no controle de um carro, vai passando por diferentes cenários. Sendo eles, uma boate de stripers em que os clientes são padres, o que critica os escândalos sexuais nas igrejas. Então, passa por uma loja chamada “Why Buy” que no momento está sendo saqueada por pessoas que brigam pelos produtos, criticando o grande consumismo presente na sociedade atual. E mesmo depois de todos esses problemas sociais por onde passou, no final, quem aparece crucificada é ela, a pessoa que está sob os holofotes da mídia e que é muitas vezes pressionada e culpada sem justificativa concreta.



Se prestarmos atenção, ainda percebemos referências em pequenos detalhes. Como na cena dos jogadores de futebol americano ajoelhados, ato recente feito pelos atletas da NFL que protestaram contra o racismo no país. Vemos isso até mesmo a memes da própria artista, em uma das cenas em que um fã aparece atrás de uma jornalista que reporta a notícia segurando uma foto que viralizou na internet. O clipe ainda carrega referência à fase perturbada de Britney Spears e muitas outras.

A sua letra é sobre términos. Sobre as coisas darem errado, mas nada ser pior do que um coração partido. Sobretudo, é uma letra pessoal. Até o recente incêndio de sua casa em Malibu, Califórnia é citado: “This burning house, there's nothing left. It's smoking, we both know it”. Quando a cantora suplica “nothing gon’ save us now” ficamos em dúvida se é sobre a sociedade no geral, ou a relação que criou para a narrativa.

Por fim, a faixa que fará parte do novo disco de Mark Ronson já alcançou 1° lugar no iTunes de 16 países e o seu vídeo mais de 6 milhões de visualizações. O álbum, sem data de estreia também irá reunir parcerias com Lykke Li, Yebba, e King Princess segundo a revista Rolling Stone. Ainda nela, o produtor admitiu que podemos esperar muitas outras “baladas tristes”.